Arquivo de abril, 2003

Evanescence – Bring Me To Life ( e posteriores comentários 😀 )Traga-me À Vida

Como você é capaz de olhar através dos meus olhos
Como uma porta aberta.
Levar você ao meu coração
Onde fico adormecido
Sem uma alma
Meu espírito está repousando em um lugar frio
Até você encontrá-lo e guiá-lo de volta pra casa

( Desperte-me!)
Desperte meu interior
Eu não consigo acordar
Desperte meu interior
Salve-me
Clame o meu nome e salve-me da escuridão
(Desperte-me!)
Oferte meu sangue para a fuga
( eu não consigo acordar )
Antes que eu sucumba
( Salve-me! )
Salve-me do nada que me tornei.

Agora que sei o que me falta
Você não pode simplesmente me deixar
Ressucite-me e traga-me à realidade
Traga-me à vida.

Traga-me à vida
( Eu tenho vivido uma mentira,
há um vazio dentro de mim )
Traga-me à vida.

Está frio aqui, sem o seu toque
sem o seu amor, querida.
Somente você é vida em meio a morte

Tudo dessa visão
Eu não posso acreditar que não consigo ver
Preso na escuridão
Mas você estava lá na minha frente

Parece que dormi durante 1000 anos,
Eu preciso abrir os olhos para tudo.

Sem um pensamento,
Sem uma voz,
Sem uma alma.

( Não me deixe morrer aqui
Deve haver algo errado )
Traga-me à vida.

—–
Me fascinei muito quando ouvi essa música pela primeira vez. Com uma densidade tão forte de

sentimentos, parecia se referir a algo que eu já tinha vivido.

Eu não estava enganado. Há uns 6 meses atrás, eu escrevi uma letra muito parecida com essa, visando enviá-la a uma pessoa que eu gostava muito. O sentimento era exatamente esse, alguém que estava sendo resgatado de uma época triste e sombria. Parecia que estava em um estado de estagnação crescente, incapaz de lutar para concretizar meus sonhos, deixando que meus ideais pouco tivessem valor diante situações do cotidiano. E assim ia prosseguindo, da maneira mais ineficaz que poderia existir.

E então, depois de ser salvo, depois de ter encontrado o abrigo que mais precisava, depois de enxergar a luz mais forte vista até então, eu mergulhei novamente em abismos profundos, eu conheci novamente a ausência de qualquer possibilidade de esperança, e, novamente, apaguei tudo o que havia de essência.

Por algum tempo esperei, até perceber que a tão esperada ” salvação ” nunca chegaria de fora. Por mais que pessoas especiais estivessem presentes na minha vida, nunca foi tão claro pra mim que a luz nada mais era do que um reflexo de um desejo meu que conseguiu quebrar todas as barreiras que o prendiam, e se transformou em intensa paixão.
E quando eu fui capaz de perceber isso, eu pude entender em que direção ficava a minha maior e mais árdua luta. Me apaixonar pela vida, pra poder transformar a mim, e depois, ao mundo.

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A hora do fim

Publicado: abril 24, 2003 em Olhar para dentro

Terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta.
Essa foi uma semana realmente muito importante pra mim. Que disse que eu não havia me enganado, que me disse que não tinha sido mentira. Mas que também me ensinou que, algumas vezes, tenho que me abster de algumas coisas boas. E é isso que eu tive que fazer, me distanciar, por hora.
Eu não queria me prejudicar com decisões impulsivas, tão menos seria capaz de prejudicar alguém por isso. Ela foi muito compreensiva, e isso me deixou realmente feliz.

E pra vocês, o quanto é fácil se distanciar das coisas que lhes são boas?
Existem certas coisas que precisam terminar no momento certo, para que o fim não seja definitivo demais. Outras coisas precisam ser continuadas pra se entender até que pontos pode-se chegar.
Nem sempre é fácil distinguir tudo isso. Alias, quase nunca é.
Mas torna as coisas mais fáceis, e a esperança maior.

Amanhã é terça-feira!

Publicado: abril 14, 2003 em Olhar para dentro

Amanha é terça-feira. E vai ser uma linda terça feira, com uma maravilhosa lua cheia. O céu pode ter até algumas nuvens, mas as estrelas vão aparecer também.
Amanhã é um dia pra andar de mão dada, rir muito, chorar um pouco também, quem sabe. Mas, acima de tudo, é dia de conversar bastate. Daquela conversa olhando bem dentro dos olhos, um de frente pro outro, com a voz tranquila, nutridos do carinho enorme que sabemos sentir um por outro.
Amanhã vai ser um dia de paz, muita alegria e paz. Amanhã vai ser o dia que venho necessitando a um bom tempo.E você, de que dia está precisando? De quais sentimentos, de quais pensamentos? O quão longe eles estão de vocês? O que te impede de seguir adiante, o que te impede de voltar?

De que serve a bondade?

Publicado: abril 12, 2003 em Política, Reflexões

Lembranças rondam minha mente. E eu tenho que ficar alheio, tenho que fugir, para que não me afogue nelas. Tenho que ficar longe daquela foto, não posso ouvir aquela música, e nem ler alguns comentários no meu blog. Não que eu a continue amando, mas foi tudo realmente muito forte, e me jogou pra realmente longe.
De qualquer maneira, foi apenas um tiro de escuridão dentro da luz, e não vai fazer com que eu deixe de enxergar.
—De que serve a bondade
(Bertold Bretch)

De que serve a bondade
Se os bons são imediatamente liquidados, ou são liquidados
Aqueles para os quais eles são bons?
De que serve a liberdade
Se os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?

Em vez de serem apenas bons, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade
Ou melhor: que a torne supérflua!
Em vez de serem apenas livres, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que liberte a todos
E também o amor à liberdade
Torne supérfluo!
Em vez de serem apenas razoáveis, esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo
Um mau negócio.
—-

Por isso minha total descrença a respeito do assistencialismo. Não acredito que isso resolva problema algum, mas apenas condiciona a uma condição viciosa que aprisiona mente e corpo.
Eu acredito na necessidade de um país que não tenham medidas como o Fome Zero como prioridades absolutas. Eu quero um país que tenha educação e qualidade de vida como principal foco de suas atitudes e de seu marketing. Eu quero um país consciente de que já pagou sua dívida externa, que entenda que o pensamento consumista e de lucro só servem para escravizar ( os outros e a si mesmo ) e que acredita numa outra maneira de se organizar e se relacionar.
Um país que acredite na revolução.

Interessante ver como certas coisas que passam despercebidas aos outros são tão fundamentais para a formação de minha opinião, e como sou tão distraído para com algumas outras coisas.Estou lendo O Banquete, de Platão.
Livro legal, tem definições bem colocadas a respeito do amor.
A maioria dos gregos definiu o amor como o mais antigo dos deuses. Podemos notar aqui, de maneira clara, que eles acreditavam que o amor existia então antes mesmo do ser amado, uma opinião que não deixa de fazer seu sentido.

Penso que o amor, certamente, depende tanto de nós quanto da pessoa amada. Mesmo que seja um amor ” arbitrário “, daqueles que não permitimos, mas invadem todos os nossos pensamentos e atitudes, inundando nossa existência de desejos e sonhos.
E também ele é uma coisa única, individual. Cada um o irá sentir de uma maneira, e estará sujeito as regras do jogo deste sentimento.
Isso causa tantas decepções, tantos planos frustrados que tantas vezes nos questionamos se o que foi vivido foi realmente amor. Na impossibilidade de entender, facilmente julgamos a outra pessoa, e devido a tristeza latente, quase sempre tiramos as piores conclusões possíveis.
Daí para que sentimentos negativos, relacionados ao sentimento de perda, rejeição e incapacidade, nos dominem por completo, é um passo muito curto.

Por isso, sempre precisamos prestar atenção para o que é o nosso amor, qual a função dele na nossa vida, e entender, por mais difícil que seja, que ele é um sentimento que passa por contínua reciclagem, se transformando a cada segundo e se adaptando as novas possibilidades que nos são impostas pela vida.
Difícil? É. Mas necessário, penso eu.

A distração das listras

Publicado: abril 10, 2003 em Reflexões

” – Naquele dia, como você sabia que eu não ia olhar o registro dentro da sua carteira?
Pelo mesmo motivo que o Jersey sempre ganha. Seu uniforme, suas listras. ”
(Diálogos de Prenda-me Se Puder)

Frase muito pertinente. Quantas vezes não nos perdemos nas listras?
Listras são nada mais do que variações entre uma ou + cores, feitas simplesmente com uma finalidade estética para que seja capaz de quebrar determinada homogeneidade das cores. Servem apenas, nesse contexto, para distrair…O quanto nós, durante toda nossa vida, não nos distraímos com as listras?
O quanto nós não perdemos em essência, o quanto nós nos abstemos de entender, o quanto nos deixamos enganar, simplesmente por não sermos capazes de ir além das listras?

Eu quero ver além, quero ver além das listras, por mais que elas possam ser fascinantes, eu quero saber o que há dentro, o que há a fundo.
Eu quero saber da verdade, e não das aparências.
Dos pontos de vista, eu quero descobrir o seu.

Então, por que será tão mais fácil se prender as listras? Por que as coisas escapam tão facilmente de nossos olhos, para no segundo seguinte se mostrarem tão diferentes? Como um sentimento pode fugir assim? Onde ele pode se esconder?
Não sei, mas devo questionar.

Quando se está caindo, quando não há chão algum, quando as estrelas estão muito longe? Quando não se acredita em mais nada, quando estamos completamente céticos com o ser humano, ou quando estamos distantes de nós mesmos? Quando não se há amor, quando não se há amigos, mesmo com tantos irmãos ao lado?
Quando a única coisa que impede a morte é o imenso e terrível medo da nossa então maior companheira, a dor?

No que acreditar? Pra onde ir? Quem buscar? Como se importar?
Antes de mais nada, use seus medos. Se o seu medo é da dor, não há antídoto maior do que a felicidade. Se é incapaz de busca-la pelas suas próprias pernas, neste momento, não exite em pedir ajuda, a mim ou a qualquer um de seus amigos, ou até mesmo aquele amante secreto, que sempre te olhava nos intervalos de aula. Se a solidão é latente, e se ela abre um buraco dentro de ti, não o tampe, deixe-o ser prenchido com as presenças ao seu redor, com as palavras, por mais pequenas que sejam. Existem lindas poesias a respeito da nuvem, mas você não pode se limitar a elas. Tem de ler a respeito do sol também. E da lua, se assim a alma lhe permitir.
Caso tudo isso não dê certo, ainda acredito no seu coração, nessa luz que insiste em se acender quando todas as outras se apagam.
O mundo precisa de você e suas cores.

Mais Uma Vez

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente

Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã…

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar

Mas eu sei que eu dia a gente aprende…