Arquivo de agosto, 2003

Muros e Grades
Engenheiros do HawaiiAs grandes cidades, num pequeno dia-a-dia
O medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades, de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades, de um país tão irreal
Os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo para descobrir
Que não é por aí, que não é nada não, que não pode ser, será?

Meninos de rua, delírios de ruína, violência nua e crua, verdade clandestina
Delitos de ruína, delitos e delícias, violência travestida, vai se atordoa em armas de brinquedo, medo de brincar, e anuncios

luminosos, lâminas de barbear

Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras entre escombros da nossa solidez

Viver assim é um absurdo
Como um outro qualquer
Como tentar um suícidio
Como amar uma mulher
—-

Adoro muito Engenheiros. Acho que as letras são cheias de uma poesia direta e realista.
Sobre essa música, condiz muito com a minha vida em São Paulo. Cada vez mais os muros ficam mais altos e as grades mais espessas, o medo é um fator que cada vez mais limita as pessoas, as restrigindo cada vez mais para si mesmas. E quanto mais ela fica restrita, mais o seu horizonte vai diminuindo, mais a interação deixa de acontecer, e sua existência, em essência, também é diminuída, a medida que suas próprias vivências vão se tornando escassas.
Eu me sinto assim, muitas vezes, muito diminuído, ainda mais por um medo que não é meu.
Por isso quero ir para longe, me livrar de algumas influências, descartar algumas inseguranças, conheces novos portos e mares. Os dias não andam muito bons por aqui, talvez eu ande meio distante, ou abstrato.
Mas passa logo 🙂
—-

” Dizer que o medo é um sentimento de autopreservação é uma desculpa para que se mantenha a consciência limpa quanto as escolhas comodistas que fazemos pela vida ” (Voz do subconsciente)

Hoje eu fiz a inscrição para minha prova mais querida ( e temida ), para o vestibular da UFSC. Ainda ecoa na minha mente os últimos momentos, em que marquei Direito ao invés de Psicologia. Mas bem, era o que o meu coração, hoje e a um tempo atrás, me pediu, e eu não conseguiria desobedecê-lo. Andaram me dizendo que é impossível fazer direito pensando em transformações sociais. Que o sistema só corrompe e aliena, e que ser político é ser parcial, e ser parcial não combina com o Direito. Pois bem, eu acho que o Direito não tem como ser imparcial mesmo, já que ele admite tudo como ” certo ” ou ” errado “, ” transgressão ” ou ” não transgressão “. O problema é que, no mundo de hoje, ele está servindo por e a um único propósito: dinheiro. Ele é quem tem movido e manipulado o Direito, desvirtuando direitos e comprando que não poderia ser vendido.Afinal, todos tem direito a alimentação, saúde, lazer, moradia, etc. Mas guardaram esses direitos tão bem, que vamos precisar cavar e enterrar muita coisa pra acha-los novamente 🙂
E eu sei que você pode estar comigo, mesmo tendo feito moda ( fê =D ), jornalismo ( mari e jac ), computação ( anônima ), psicologia ( fabiii e senhorita ), biologia ( thiago ) ou mesmo que ainda nem tenha escolhido sua profissão 🙂

Uma pessoa bem especial comentou comigo sobre essa música… só então eu lembrei que tinha ouvido a algum tempo atrás, e achado muito bonita mesmo… ela estava perdida nas fitas/vinis de minha mãe, e eu resgatei em mp3 hoje… segue a letra
Isabella Taviani

Foto Polaroid

Sabe o que me cansa?
São essas tuas palavras
Que eu tenho que arrancar do meio da tua garganta, criança
Que eu tenho que trazer de dentro do teu peito, perfeito

Mas eu aqui, largado, num canto, desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos, tanto faz, você não vem mesmo
Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de polaroid
Eu morro mais, eu morro menos, tanto fez, você não veio mesmo

Sabe, eu odeio, odeio adorar o seu jeito simples de viver
Ver você sorrindo assim loucamente quando estou aqui presente
Sentir as tuas pernas trêmulas do prazer satisfeito
E é por isso que eu não aceito, eu não aceito, ver você assim retrocedendo
Abrindo mão dos sonhos, fantasias, por essa covarde covardia

Muito menos pagando o preço dos nossos pecados,
Nem se fossem 10 centavos!

Mas eu aqui, largado, num canto, desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos, tanto faz, você não vem mesmo
Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de polaroid
Eu morro mais, eu morro menos, tanto fez, você não veio mesmo

Eu sou

Publicado: agosto 24, 2003 em Música, escrever, sentir...

Eu sou um sonhador, que tem um sonho só,
Eu sou um andarilho, que só trilha uma estrada,
Eu sou um poeta, que só amou uma vez.
Eu sou tantos, e tudo é tão diferente e todos tão iguais
Não é rouca a voz que sai do coração…Eu sou sentimental, mas sou político
Eu sou romântico, mas sou tímido
Eu sou sadio, mas sempre machuca
Não as quedas, provenientes da vida, mas sim a vontade de voar.

Eu sou corajoso, mas não me exponho
Eu sou extrovertido, mas exigente
Eu sou sincero, mas orgulhoso
Não é a toa que minha casa é cheia e meu coração se esvazia

( Legião – Livro dos Dias )
Ausente antes o encanto cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado
Meu coração não quer deixar
meu corpo descansar
E meu desejo inverso é velho amigo…

Uma poesia de Bertold Brecht:Quem se defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.
—-

Penso muito nisso quando ouço falar sobre o Estado de Israel, e os problemas com a palestina. Este último é um povo que vem sofrendo, durante diversos anos, massacres atrás de massacres, tendo podadas suas mínimas condições de preservar sua cultura e dignidade.
Sei que existem, entrem os palestinos, aqueles que deixaram com que o fanatismo servisse como anestésico, dedicando sua vida então ao que lhes parece mais certo, no entanto, é apenas a maneira mais conveniente de dar sentido a sua existência: ao terrorismo, a proliferação da violência e da morte.
No entanto, são apenas resultados de uma sociedade que exclui, pouco se importando com modos e métodos capazes de assegurar uma convivência pacífica entre os diversos povos, preocupada muito mais em impor a todos o seu modo de vida do que tentar entender os processos alheios.
Resultados ou não, estes são terroristas que devem ser tão assustadores quanto aqueles a quem matam, vítimas da alienação social que permitiu que determinado governo continuasse impondo medidas unilaterais que subjulgaram outro povo.
Agora, este governo é que deve ser visto como o pior de todos os terroristas, pois somente ele seria capaz de acabar com esse ciclo interminável, bastando para isso apenas medidas menos autoritárias, que gastassem a soma de dinheiro que se é gasta em armas para adotar políticas de integração e desenvolvimento da sociedade palestina. Se investissem na palestina 1/4 do que investem em armas, tenho certeza que o povo judaíco teria na mesma uma população amiga, e que nada precisaria temer.
Mas, claro que não é responsabilidade dos judeus cuidar dos problemas da população palestina, é isso o que dizem.
E é o nosso papel cuidar de todas as nossas favelas, de todos os nossos miseráveis?

Claro que é.
É papel de qualquer ser humano cuidar de outro. E o que não o fizer, deverá ser condenado, tal como condenamos os terroristas e os governos que usam poder coercitivo para impor suas políticas e guerras. Abaixo aos EUA, e a todo movimento autoritário que busque excluir qualquer homem ao invés de integrá-lo.

Quando você esteve aqui eu sabia seu nome, sabia de seus sonhos, seus desejos, seus medos, sabia o que era você, e ser seu amigo.
Quando você se foi, eu não entendi muito bem os motivos, mas sempre lhe respeitei. Eu sou um pouco orgulhoso pra essas coisas, colocando a racionalidade acima da emoção, quando acredito que isso é o melhor pra você.
Agora, que está tão distante, eu só me faço lembrar do quão importante você foi pra mim, do quanto sinto sua falta. Não é arrependimento, longe disso, mas eu queria ter sido capaz de entender, de não ter sido tão tolo.Mas ele, o meu amor, não costuma ser muito inteligente. Costuma ser muito idealista, e isso às vezes te faz muito mal. Bem, você escolheu as cores que escolheu, e eu não pude interferir.
Mas sinto sua falta.
Onde está agora, sentimento, por que abandona-me na solidão de um vão momento…

Guardei o meu coração num lugar seguro
Longe de mim e de qualquer luz
As vezes fico curioso, e olho lá dentro
Eu não queria que ele adormecesse
Mas é estranho…
Como ele bate!Às vezes ficamos distantes de tudo. Queremos esconder nossos sentimentos, nossos desejos…
Eles parecem tão impossíveis, que julgamos não valer sequer o pensamento, que poderia, no caso da paixão, representar uma mínima esperança, que quase sempre acaba resultado em frustração em sofrimento.

Eu sempre me julguei muito capaz em abdicação, porque são raras as coisas e pessoas a quem me apego de maneira concreta, e na maioria das vezes elas nem conseguem perceber isso. Eu entrego boa parte de mim com alguma facilidade, mas algumas outras, poucas pessoas foram capazes de ver. As que viram, bem, estas tem conhecimento dos meus maiores medos, temores, e também de meu mais sincero amor.

No entanto, essa vontade de abrir a caixa me assola. E sempre que abro uma brecha, sinto o frio invadindo meu peito, e uma vontade enorme de trancar e jogar a chave fora. Sentimento ambiguo, estranho…

Mas hei de encontrar o meu bálsamo, e novas motivações.
Que todos tenham uma boa semana, e uma vida muito intensa 🙂

” Quando você faz a minha carne triste quase feliz ” ( Zeca Baleiro )

“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão”
Um dia eu percebi que nem tudo que desejava era facil de ser conquistado”Um dia me disseram que ventos as vezes erram a direção”
Um dia eu percebi que nem tudo funcionava de maneira racional

“E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão”
Foi o primeiro passo para mudanças de atitude, que embora sutis, significaram mudanças bruscas no modo de agir e pensar

“Uma estrela de brilho raro, um disparo para o coração”
Como um trovão repentino, que fosse capaz de acender diversas luzes sobre nosso caminho

“A vida imita o video, garotos inventam um novo inglês”
Vivendo num país sedento, um momento de embriaguez
Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter
Somos o que nossos ideais permitem, desejos que acreditamos possíveis

“Um dia me disseram quem eram os donos da situação”
Um dia descobrimos quem tem o poder de transformação

“Sem querer eles me deram as chaves que abrem essa prisão”
Sem querer eles me deram motivos pra romper com a alienação

“E tudo ficou tão claro, o que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro, como um dia, um dia comum
A vida imita o video, garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento, um momento de embriaguez
Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter”
E a realidade se torna mais tangível, e os sonhos se tornam mais densos, a medida que podemos interagir, e que é rompida a linha ( que não é tão tênue ) entre sonho e atitude…

Se existisse uma tecla SAP dentro do meu coração, seriam essas as palavras, durante aquela música, durante aquele show ( maravilhoso ) dos Engenheiros do Hawaii. Me lembrei de como é bom estar diante de um palco, com os amigos, e o som tão alto que faz com que a própria voz seja impossível de ser ouvida.
Após Engenheiros, tocou também o Gabriel Pensador. Sem dúvida, um dos melhores shows que eu já fui. O cara demonstra, a cada segundo, que ama a sua banda, que ama o que faz, que ama o seu público, e que sente pulsando em si a necessidade de fazer uma música que instigue as pessoas a reflexão e a crítica.
Eu me identifiquei MUITO com ele, e acho que é isso que a música significa pra mim.
E o que a música significa para você?