Nossa responsabilidade sobre a violência

Publicado: agosto 24, 2003 em Política, Reflexões

Uma poesia de Bertold Brecht:Quem se defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.
—-

Penso muito nisso quando ouço falar sobre o Estado de Israel, e os problemas com a palestina. Este último é um povo que vem sofrendo, durante diversos anos, massacres atrás de massacres, tendo podadas suas mínimas condições de preservar sua cultura e dignidade.
Sei que existem, entrem os palestinos, aqueles que deixaram com que o fanatismo servisse como anestésico, dedicando sua vida então ao que lhes parece mais certo, no entanto, é apenas a maneira mais conveniente de dar sentido a sua existência: ao terrorismo, a proliferação da violência e da morte.
No entanto, são apenas resultados de uma sociedade que exclui, pouco se importando com modos e métodos capazes de assegurar uma convivência pacífica entre os diversos povos, preocupada muito mais em impor a todos o seu modo de vida do que tentar entender os processos alheios.
Resultados ou não, estes são terroristas que devem ser tão assustadores quanto aqueles a quem matam, vítimas da alienação social que permitiu que determinado governo continuasse impondo medidas unilaterais que subjulgaram outro povo.
Agora, este governo é que deve ser visto como o pior de todos os terroristas, pois somente ele seria capaz de acabar com esse ciclo interminável, bastando para isso apenas medidas menos autoritárias, que gastassem a soma de dinheiro que se é gasta em armas para adotar políticas de integração e desenvolvimento da sociedade palestina. Se investissem na palestina 1/4 do que investem em armas, tenho certeza que o povo judaíco teria na mesma uma população amiga, e que nada precisaria temer.
Mas, claro que não é responsabilidade dos judeus cuidar dos problemas da população palestina, é isso o que dizem.
E é o nosso papel cuidar de todas as nossas favelas, de todos os nossos miseráveis?

Claro que é.
É papel de qualquer ser humano cuidar de outro. E o que não o fizer, deverá ser condenado, tal como condenamos os terroristas e os governos que usam poder coercitivo para impor suas políticas e guerras. Abaixo aos EUA, e a todo movimento autoritário que busque excluir qualquer homem ao invés de integrá-lo.

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