Arquivo de outubro, 2003

…Ontem fui ao cinema, com uma ilustre e querida amiga, assistir a um filme chamado Aos Treze.
De roteiro muito bem desenvolvido e trabalhado ( baseado em uma história real, inclusive de uma menina que interpreta no filme ) que retrata de maneira bem interessante e realista a maneira como a classe média se afunda na droga.
Aborda questões muito interessantes, e o ponto forte do filme, na minha opinião, é justamente a crítica a necessidade de integração pessoal das pessoas, a qualquer custo.

E isso me faz refletir um pouco sobre a minha vida.
Eu raramente tento me integrar a um grupo no qual não haja nenhuma identificação. Minha escola não é, definitivamente, um lugar muito legal de se estar. Com regras estúpidas, uma classe que é a maior panela, pessoas realmente sem nenhum senso de compromisso que não sejam com elas mesmas ( e sua própria diversão ), e por aí vamos.
Só que conviver 6 anos com as mesmas pessoas acaba, inevitavelmente, criando vínculos que acabam por nos fazerem ter alguma consideração a elas, dedicar momentos, pensamentos, palavras, atitudes. Então, eu sempre tentei acrescentar o máximo que me era possível ao grupo, seja através de atitudes ou palavras.
E sempre tentei enxergar, dentro de todo o grupo, as virtudes específicas que toda pessoa tem. E tentava torná-las maiores do que as coisas que não suportava. Ainda mais nesse ano, em que tudo se tornou tão difícil ( estudos, decisões, corações ), eu evitei ao máximo esse tipo de conflito.
Só que, infelizmente, parece que não conseguirei evitar por muito mais tempo. Ou eu me anulo completamente, ou um conflito vai se tornar inevitável. Me anular não é uma possibilidade.

É um momento de decisões. Eu só espero ter a serenidade de acabar o ano com a cabeça erguida, construindo projetos que me façam acreditar novamente em tudo o que se perdeu.
———————

Desencontros…
Abandonos…
Alguma falta de consideração.

Tudo isso machuca…
Mas a solidão que mata 🙂

( ainda bem que descobrir melhor algumas pessoas faz um bem )

Anúncios

Pensei bastante a respeito do último post, e devo admitir que eu deixei de considerar alguns aspectos muito importantes a respeito da maternidade.Claro que é muito nobre, como eu disse, você adotar uma criança. Ainda mais nas condições da nossa sociedade, onde sabemos as reais condições dos orfanatos e a total falta de perspectivas que uma criança sem pais acaba por ter.

No entanto, foi extremamente injusto da minha parte aconselhar uma mulher a não ter filhos. Eu acabei por concordar com o comentário da Colombina, idéia que foi reforçada ontem por uma amiga, quando voltávamos do boliche ( aniversário de um amigo ). Ela ficou me falando, durante os 30 minutos de caminhada, sobre todas as fases de sua gravidez, sobre o quão entusiasmante é lembrar de quando saíamos e ela estava grávida, sendo que agora voltamos pelo mesmo caminho com ela tendo o filho em seus braços. Também me falou sobre todas as fases de desenvolvimento dele, todo o carinho dispensado nos primeiros dias e esse tipo de coisa. E enquanto falava, eu pude perceber aquele tom de voz, aquele olhar, que só os mais apaixonados conseguem reproduzir.
A gravidez e todos esses processos parecem ser fundamentais para todo o processo de maturidade dos pais.

Então, resigno-me a mudar de opinião, e fazer a seguinte consideração: tenham um filho e adotem outro ^^ 🙂
————————

Tantas coisas perdem o sentido de ser através do tempo. Não é raro começarmos uma coisa pensando em determinado objetivo, e com o tempo, tornar determinades atitudes tão parte do cotidiano que até nos esquecemos de que aquilo só está sendo aceito por nós pensando num objetivo “maior”. E isso pode acarretar em diversos conflitos, que invariavelmente acabam por nos deixar desestimulados, cansados, inertes numa rotina que, definitivamente, não nos agrada. E como nos esquecemos dos objetivos, isso também faz com que estejamos distantes, o que por sua vez torna pouco interessante quase todas as coisas ao nosso redor.
É um ciclo vicioso, e pra rompê-lo precisamos repensar determinadas atitudes e posturas, e estar mais sensíveis as coisas boas que nossos caminhos possam oferecer, por mais difícil e distante que as vezes eles possam parecer…

Bem, é o que eu queria dizer a vocês ( e a mim ) por hoje.
Força Sempre, Mari, Jac, e todos nós que passamos por momentos não tão fáceis. 🙂

Escolhas responsáveis

Publicado: outubro 12, 2003 em Olhar para dentro, Reflexões

Ahn. Antes de mais nada, eu queria deixar claro a todos que as reflexões abaixo a respeito de relacionamento e amor diferem um pouco da minha opinião pessoal. Acontece que dois casais, que estão na lista de meus melhores amigos, acabaram seus namoros a muito pouco tempo, me deixando essas justificativas. Elas me fizeram refletir durante algum tempo, e eu achei interessante posta-las aqui, achei que poderia causar o mesmo efeito pra vocês :)Eu acho que fazia tempo que eu não me identificava assim com a personagem de alguma música. Biquini Cavadão, no caso.

“Janaína acorda todo dia as 04:30 e já na hora de ir pra cama Janaína pensa
Que o dia não passou, que nada aconteceu
Mas ela diz que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz que um dia a gente há de ser feliz”

As portas estão abertas, mas as janelas estão fechadas.
Os passos são rápidos, mas o caminho é incerto…

Parece que a minha vida tem se tornado uma eterna antítese, entre os resultados que almejo e os caminhos que sou consequentemente obrigado a percorrer.

As vezes o coração se abstem, e fica aquele sofrimento, calado, de quem não foi feito para a indiferença.
As vezes o coração grita, e fica aquele sofrimento, barulhento, de quem necessita extravasar de alguma maneira toda a dor que sente.

Se eu ando distante, é porque não gosto de colocar palavras tristes aqui. Sempre que estou melancólico, procuro até evitar visitar o blog dos amigos.
———————————

Hoje é dia das crianças, e eu não poderia deixar de explicitar aqui a beleza que julgo eu existir nessa fase da vida de qualquer ser humano.
A criança sempre foi sinônimo de ingenuidade, de pureza. Elas estão descobrindo o mundo, negam os preconceitos, tem uma curiosidade extremamente insistente e ainda se assustam com o mundo, que por vezes parece tão óbvio para nós, pobres almas, que já fomos bombardeados de conceitos e distorções. Elas realmente sentem com intensidade a frustração ou realização de seus desejos, alterando entre os extremos de humor com muita facilidade. Elas também são quase sempre incapazes de guardar mágoas, e reparam em detalhes que sempre nos passam despercebidos.

Também gostaria de deixar aqui minha indignação como a maneira como a criança em geral é tratada na nossa sociedade. Parece que ela está em um mundo diferente do nosso, quase nunca é compreendida e tem seus desejos e medos respeitados. Em várias ocasiões são humilhadas ou sofrem todo tipo de agressão ( desde a verbal até corporal ). Eles são responsáveis pelos futuros, mas seus próprios responsáveis nem parecem se importar muito com isso.

Fica aqui um pedido especial…
A todos aqueles que pretendem ter um filho. Prestem atenção em quantas crianças abandonadas temos em nosso país. Quantas crianças em orfanatos, quantas crianças na rua. Vale a pena repensar conceitos, e ousar nas atitudes, não ter medo de se expor. Todos temos a oportunidade de mudar, substancialmente, a vida de alguém, e a perspectiva de mudar um futuro que até então seria quase isento de perspectivas, pra uma vida saudável e estruturada, me faz muito feliz.
Enfim, o pedido é esse. Não tenham filhos, adote-os. Vocês estarão ajudando a sua sociedade, e ainda terão consigo a certeza de que mudaram e marcaram a vida de uma pessoa.

São dois rios.
Eu já me afoguei em um, já nadei em outro…
Hoje não me molho mais
(a não ser com a chuva)A gente não escolhe o que sente, mas ainda assim somos responsáveis pelos nossos atos. Seria isso justo?
Poderia a razão ser fator consciente dentro do sentimento? Será?!

“Eu acabei porque não consigo ficar longe dela. Dói demais essa distância, dói demais não tê-la ao meu lado. Eu sei que sou o melhor que ela poderia ter, mas não consigo, não sou capaz. Dói demais, e eu não consigo evitar. Os pensamentos não cessam, os medos, as inseguranças, não há nada que eu possa evitar enquanto ele está longe. O mundo já não é mais mundo, e eu me afogo nas crescentes saudades que me trazem a solidão. O meu amor é também minha solidão, e de tão grande que ela é, que eu a expulso, pouco a pouco do meu mundo. A ele, e não ao amor! Porque eu o amor, perto ou longe, e cada vez mais! Só que ele deixa de fazer parte do que eu sinto, pra se tornar, definitivamente…
Lembranças de algo bom”

“Eu acabei porque julguei que isso seria o melhor pra ela. Aconteceu naturalmente, assim. Um dia percebi que o que havia de ser trocado, já tinha sido! Que nos olhos dela eu enxergava um pedaço de mim, e que nos meus olhos havia um tantão dela. Só que nossos caminhos iriam se separar, logo ali na frente. E que ou eu largava a mão dela, ou a mão dela escorregaria. E eu preferi, sinceramente, largar a mão dela. Achei que isso daria mais segurança a ela pra continuar seu caminho, que isso ia ser menos traumático. Olha, a quem eu estaria enganando se dissesse que não a amo mais? Por tudo o que ela significou, por todas as sensações que só tive com ela. Não dá pra esquecer tudo isso assim. As vezes eu até acho que nunca vou esquecer. Só que a dor passou! Dentro de mim, serenidade. Eu só desejo que ela seja muito feliz, que parte dessa felicidade com certeza se reverte pra mim.”

A chave certa, a hora certa

Publicado: outubro 6, 2003 em Olhar para dentro

Eu sei que dentro de mim existe uma densidade muito grande. O problema é que está trancada dentro de uma caixa ( esse meu coração! ), e que só vai se abrir com uma chave rara ( ah, aquele sentimento! ).Desistir no momento em que devemos desistir, acreditar enquanto houver motivos para acreditar, sentir aquilo que faz bem sentir. Às vezes nem tudo faz tanto sentido assim, mas eu costumo ser extremamente racional, e não acho que isso torne a minha análise fria ou desvinculada de qualquer apego sentimental. Apenas não costumo deixar a emotividade me levar para caminhos que não acredito serem os melhores pra mim.

Viver o máximo de experiências possíveis, no tempo que me é disponível, sempre tão mínimo e restrito. Esse tem sido um desafio da vida que tem me vencido, mas eu ainda tenho esperanças de virar esse jogo.

” E o pulso, ainda pulsa ”
( Titãs )