Arquivo de dezembro, 2003

Titãs – Enquanto Houver SolQuando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós há algo de uma criança

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá… enquanto houver sol

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós aonde Deus colocou

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá… enquanto houver sol

Vamos nos manter em pé, mesmo que não haja motivos para estar em pé agora ( sabemos que um dia haverá ).
Vamos caminhar até o topo da montanha só para poder nos localizar melhor ( no fundo do poço não vemos nada ).
Vamos ser otimistas sem que para isso precisemos ser ingênuos ( devemos odiar a alienação ).

Sozinho, pouco ou nenhum motivo pra viver me resta, porque não vejo a minha possível morte como algo negativo em si. Não que não tenha amor pela vida, muito pelo contrário, amo-a realmente muito. Mas vejo que a morte é tão e somente um sono eterno, onde minha consciência se esvai completamente. A dor que fica não é a de quem morre.

Com outras pessoas, a ligação com o mundo fica muito mais forte. Parece que a morte só levaria uma parte de mim, e que o resto ficaria aqui. E eu não queria ser parte, eu não queria ser lembranças. Eu quero ser presença e atitude. Eu quero SER de maneira ativa e consciente, eu quero fazer diferença, eu quero sentimentos intensos.

Não importa quanto tempo passe. Sempre que eu ouvir aquela música eu vou lembrar daquela pessoa.
Incrível como cheiros, gestos, sotaques, palavras podem nos remeter a pessoas e momentos. E quando a gente se apega a alguma pessoa tudo é desculpa para lembrar dela. Só que isso vai diminuindo ( normalmente ) com o tempo, até se tornar numa lembrança quase inefetiva, que não represente necessariamente posteriores pensamentos a respeito.

Mas hoje, eu senti falta daquele sentimento. Daquele coração, talvez.
Custou tão caro a minha tranquilidade. Custou tão caro a minha paz, custou tão caro assim esquecer aquela pessoa? Tão caro a ponto de mesmo depois de anos alguns caminhos ainda estejam completamente fechados dentro de mim?

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ele e ela

Publicado: dezembro 26, 2003 em Declarações

Ela é vegetariana
Ele é bem doidinho
Ela é bem sensível
Ele é bem engraçado
Ela tem problemas de estima
Ele a acha perfeita
Ela calculou o mapa astral dele
Ele a beijou com herpes
Eles saíram de mãos dadas
Eles tem muito a se ajudar
Eles são pessoas especiais
Eles querem fazer o mundo brilharEle é meu melhor amigo
Ela é quase uma irmã
Um romance inesperado com duas pessoas que amo muito. Torço para que dê muito certo!

Tristes opostos

Publicado: dezembro 21, 2003 em Olhar para dentro, Reflexões

HoHoHoHo!
O natal está chegando! :)Eu sei que eu mudei muito nesses últimos anos, mas eu antes via as pessoas num clima de expectativa muito maior. Parece que o sentimento do “espírito natalino” era mais presente, intenso. Alguém aí poderia dizer se sou apenas eu que mudei, ou se esse clima de natal está mais fracos esses últimos anos?

Muita gente critica o natal. Diz que é mais uma data comercial desvirtuada pelo capitalismo, onde as pessoas desfilam hipocrisias e fingem que se amam mais do que se amam durante todo o resto do ano.

Eu acho que isso é verdade, também. Mas acho que o Natal é muito maior que isso. Acho que é uma possibilidade de reflexão conjunta, de perceber o quanto as coisas são melhores e as pessoas mais felizes quando estão perto de entes/amigos queridos, o quanto gostam de receber “agrados”, mesmo que não seja por meio de presentes, o quanto um simples cartão tem o poder de deixar o dia de alguém um pouco mais feliz.
E é esse sentimento que devemos reproduzir, em todo o nosso cotidiano, esse sentimento de compreensão, esse carinho que transborda sem vergonha, esse jantar que é dividido por todos, essa atenção que dispendemos a todos aqueles que gostamos.

Do Outro Lado

A solidão de quem vive na miséria me aflinge cada vez mais. Eu moro em São Paulo, onde a pobreza está presente em quase todo canto. Fico assistindo, de dentro do ônibus, ao passo devagar dos mendigos, os velhos se ajeitando nos papelões. Eu penso bastante na fome, no frio, na sujeira a que eles são submetidos. Mas penso muito mais na solidão, na ausência de todo e qualquer tipo de afeto, a vida que foi repleta de desprezo, ao sentimento de piedade que coloca um ser humano como inferior a nós mesmos. Isso não é digno de um animal que tem tantas potencialidades, que tem capacidade pra fazer tanta coisa, que é tão inteligente. E quem definiu que era ele quem está lá, e não eu? Minha ascendência, provavelmente. Porque na verdade aquele mendigo pouco pode fazer pra mudar sua condição. E eu pouco poderia, caso tivesse a mesma vida que ele teve.

Preciso de mais engajamento político ano que vem se quiser manter minha mente sã =P

Um sonho ruim

Publicado: dezembro 21, 2003 em Olhar para dentro

Sonhei essa noite que havia perdido a minha mãe. Além de rever o quanto a amo, pude também repensar sobre diversas das minhas relações pessoais, principalmente o sentimento de perda que eu tenho relativo a algumas pessoas.Eu sou uma pessoa extremamente complicada nesse aspecto. Extremamente comunicativo, adoro conhecer novas pessoas, conversar, compartilhar… no entanto, são realmente poucas as pessoas que me cativam, que ganham uma admiração mais afetiva, e que me incitam a um envolvimento mais próximo.
Não bastasse o número restrito de pessoas, eu sempre tenho a impressão de que eu nunca expresso isso de maneira satisfatória, que eu nunca me dedico o quanto gostaria de me dedicar, que eu quase nunca tenho o espaço que gostaria de ter. E isso não me é imposto por limites estabelecidos por essas pessoas… é imposto por uma inércia destrutiva que eu destruo ciclicamente, mas que volta cada vez mais fortes assim que algum motivo de tristeza aparece. As pessoas estão ali, de certa maneira esperando por mim ( conscientes ou não ), mas eu não consigo chegar até elas, falta a paixão que me incita a escrever, conversar.

Esse ano eu consegui “atropelar” de certa maneira essa característica da minha personalidade e tristeza, mas às vezes sinto como se estivesse a um passo de tê-la de volta. A ausência do tesão de conversar, aliado a desencontros e irresponsabilidades, fazem com que eu diminua meus horizontes, coisa que repudio completamente.
Eu abri, por exemplo, esse blog umas 8 vezes esses dias antes de conseguir postar algo. Eu visitei o blog da maioria dos meus amigos, mas sem vontade de comentar nada ( isso que encontrei muitas coisas que me interessaram muito ). Eu tinha 40 assuntos diferentes pra tratar aqui, sem que encontrasse começo pra fazê-lo.

Justificativas

E parece que… preciso dispor de uma força muito grande pra mudar isso… que não está mais tão espontâneo quanto era antes, e eu sinto que isso me prejudica no meu “objetivo” que é manter um blog que incite as pessoas a reflexão, ao questionar. Eu não quero fazer desse blog um Gabriel Wanna Dream 2. Aquele blog foi importante para a minha vida, mas seu espaço acabou, assim como acabou, de certa maneira, a minha ingenuidade para com a maior parte dos sentimentos.

Mas eu ainda tenho longos planos pra este lugar aqui 🙂

Vou me embora pra Floripa!

Publicado: dezembro 10, 2003 em Olhar para dentro

Espero revê-los logo. Espero retornar logo ao meu mundo. Espero que ele ainda seja meu.Vou-me embora pra Passárgada
Vou-me embora pra Passárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada

Vou-me embora pra Passárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca da Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo que eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Passárgada

Em Passárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada.

Manuel Bandeira, Libertinagem
To indo pra floripa, o último dos vestibulares.
🙂