Arquivo de abril, 2004

Contradições políticas?

Publicado: abril 29, 2004 em Política

Mais uma do governo Lula.
A constituição definiu que as aposentarias seriam reajustadas conforme o salário mínimo. Isso significa que ela se preocupou em dar alguma segurança a quem depois de tanto trabalhar, realmente merece um pouco de paz e respeito. Mas as peripécias do nosso governo são tantas que, pra não aumentar o salário mínimo, porque isso iria causar um “rombo” muito grande na previdência social, ele decide aumentar o valor das “bolsas-genéricas”, para que assim possa seguir a risca a sua responsabilidade fiscal diante dos órgãos financeiros internacionais. Mas e sua responsabilidade diante da nossa constituição federal, carta máxima de deveres do governo brasileiro?
Compromisso social? Bahhhhh :PÉ a inversão de valores do capitalismo, que diz que o social só vai ser construído se atingindo avanções econômicos. A história nos prova que isso não condiz com a realidade, que apesar de grandes saltos econômicos nosso país sempre foi marcado pela crescente desigualdade social, que resulta em quase todas as mazelas com que temos de conviver.

Alguns dizem que não há saída, e que o processo é irreversível.
Eu acho que vale a pena tentar lutar, por mais ínfima que seja a esperança, pra que isso mude.

Há 18 anos atrás houve um alguém que resolveu transpor o intransponível. Alguém que quis adiantar o que era, enfim, inevitável. Alguém que teve todos seus sonhos destruídos. Alguém que não esqueceu de seus ideais e, diante da dor tão grande de os ver impossíveis, não conseguiu adormecer sua vontade de outro jeito.Uma estrela muito grande se apagou. Mas a luz que dela resultou demorará muito tempo a se perder. Muitas almas, de certa maneira, ela iluminou, apesar da ausência da estrela em si.
Afinal, a essência é o que foi, ou o que ficou?

Hoje, um menino de 12 anos deixou nosso mundo. Sofria muito, mas ainda assim não foi ele quem escolheu seu destino. Tanto ainda poderia ele ter feito, mas a ele não foi dada a opção…

” And isn’t it ironic? Don’t you think? ” ( Alanis )
” É tão estranho, os bons morrem jovens, assim parece ser quando lembro de você, que foi embora, cedo demais” ( Legião )

Eu não escrevo porque tenho as letras bonitas
Eu não escrevo porque tenho dominio gratical
Eu não escrevo por simples comunicar
Eu não escrevo pra somente descrever o bonito
Eu não escrevo pelo puro prazer da palavra
Eu não escrevo por vocaçãoEu escrevo porque assim sinto
Eu escrevo porque preciso dizer a vocês
Eu escrevo porque isso chega mais alto do que minha voz
Eu escrevo porque preciso expressar
Eu escrevo porque existem coisas que precisam mudar
Eu escrevo porque sentimentos sao importantes
Eu escrevo porque preciso entender

E escrevendo eu sei que me repito
E escrevendo eu sei que me confundo
E escrevendo eu sei que me descubro
E escrevendo eu sei que me apaixono, que esqueço
E escrevendo eu sei que confesso o que sou, eu confesso o meu amor…
————–

Fernanda queria viver intensamente
Mário queria escrever um livro
Marina queria fotografar o mundo
Rafael queria amar

As possibilidades são tantas. No entanto, nem sempre tudo o que fazemos, por mais bem feito que seja feito, se reverte em resultados positivos. Existem tantos amigos para os quais dispensamos tanto carinho e atenção, e no final das contas os vemos nos mesmos becos escuros. Existem tantas vezes em que perdoamos para ver posteriormente o mesmo erro sendo cometido. Existem tantas vezes em que rompemos algumas amarras pra depois acabar nos enroscando em outras piores.
Não somos senhores do destino. Podemos ter dado chances ao acaso pra boas surpresas, mas nem sempre elas vão acontecer. No entanto, acredito que devemos estar consciente do que é o nosso papel, sua abrangência e também seu fim. Nem tudo depende de nós, o que quer dizer que, apesar de responsáveis pela vida que vivemos, não somos de todo modo ‘culpados’ por ela. Isso quer dizer que algumas vezes vamos viver coisas que não são parecidas com as ‘sementes’ que plantamos. Mas isso faz parte do processo, e não quer dizer necessariamente que erramos em ter confiado, perdoado, acreditado, amado…

Muito cuidado para não identificar todo acontecimento frustrante como fruto de um erro pessoal 🙂