Arquivo de agosto, 2007

Frase interessante. Deveria ser repetida mais vezes por aí. Se bem que o problema de frases como essa nunca é a quantidade de vezes que é repetida. Nah, palavras bonitas vivem sendo repetidas todo o tempo. Na tv, na política, na faculdade, no trabalho, no orkut, em todos os lugares. Sempre se fala de amor ao próximo, amizade, companheirismo, amizade, respeito, solidariedade. É, o problema do mundo não é falar.

Ser responsável é difícil. Olhar pros valores que você acredita que tem e depois olhar pra sua vida não é uma experiência fácil para a maior parte de nós.

Mas é importante. Questionar sempre não só o mundo ao nosso redor, mas nós mesmos. O comodismo e a insegurança não são apenas alienantes: são amarras que nos impedem de lutar pelo que verdadeiramente nos faz bem.

Eu não sei. Existem momentos em que eu sobrevivo, existem momentos em que eu vivo. E estes últimos são muito mais intensos quando minhas atitudes refletem meus pensamentos e  sentimentos. É muito mais intenso quando estou fazendo o que eu sinto que deveria fazer.

E intensidade é uma coisa que procuro muito. Às vezes parece até que a leveza, em um mundo como o nosso, é de certa maneira uma traição a gravidade da ideologia em relação a situação em que nos encontramos.

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“Pra quem acorda seis e meia da manhã, e não sabe o que está fazendo no lugar onde vai.
Se essa dúvida passa pela sua cabeça, preste atenção: é mérito a gente ter um trabalho num país onde muitos não tem essa possibilidade

Se a gente tem agradeça, levante as mãos mas não pare por aí!
Não basta, em cada gesto a gente tem que mostrar aquilo que a gente pensa, a nossa indignação da maneira que for

Mas que ela seja bem vinda, senão ela se torna o mérito e o monstro.”
(Fernando Anitelli)

O Teatro Mágico – O Mérito e o Monstro

O metrô parou
O metro aumentou
Tenho medo de termômetro

Tenho medo de altura
Tenho altura de um metro e tanto
Me mato pra não morrer

Minha condição, minha condução
Meu minuto de silêncio
Os meus minutos mal somados
Sadomasoquismo são

Meu trabalho mais que forçado
Morrendo comigo na mão

A maioria das pessoas passa de oito a doze horas por dia
fazendo coisas que não fazem sentido na vida delas
PERMITA-SE! PERMITA-SE!

Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós

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Precisamos saber a hora de buscar as pessoas e precisamos saber a hora de deixá-las. Eu, via de regra, exagero na busca quando sei que elas precisam ser encontradas e negligencio minhas vontades de encontrá-las quando sinto displicência ou falta de utilidade em minha presença.

Assim:

“Tudo muda o tempo todo no mundo. Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo agora. Há tanta vida lá fora! Aqui dentro, sempre. Como uma onda no mar…”

Não é que tudo o que passou tenha sido mentira. Não, não. Não é que as pessoas não tenham se importado, também. E nem que deveriam mudar suas posturas. Não estamos falando de leis. É só o movimento, constante e inevitável, que transforma a tudo e a todos.

Existem coisas que serão resgatadas, e existem coisas que ficaram para trás muito antes que eu pudesse perceber. De muitas sinto falta, mas poucas deixaram marcas capazes de mudar completamente as direções de minha vida.

Tive um final de semana bastante especial. Aniversário da minha avó [80 anos], conheci uma parte da família com quem não tinha contato até então.  É legal sentir que existe uma história em comum que cria laços que cultivam sentimentos de união e afetividade. 

Fiz o backup do meu antigo blog, (época em que o Questione o seu mundo! ficou hospedado no terrível Blig – serviço de blog da IG). Acho que tem uns dois anos de texto que agora podem ser visualizados por esse blog. Foram escritos a um bom tempo, e me é sempre construtivo olhar para trás, minhas expectativas, desejos, pensamentos e atitudes. Muita coisa mudou, mas muita coisa ainda soa bastante parecido. 

Recebi alguns desafios interessantes. Vou ver se consigo respondê-los logo…

Faça alguma coisa!

Publicado: agosto 10, 2007 em Política, Reflexões

Escrevi esse texto como uma provocação a mim mesmo, durante uma aula de Direito de Processo Penal. Apesar de ser bastante pessoal, achei que poderia ser útil aqui também. Espero que não se sintam ofendidos com o tom do texto, é que eu não tenho muitos pudores pra falar comigo mesmo. 

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Antes de mais nada, encontre as suas verdades. Questione os seus valores. Descubra e destrua preconceitos. Se informe. Reflita. PENSE!

Vá além! Não estou falando de filosofia, estou falando de VIDA! Não diga que não sabe o que é certo. Você não sabe se está certo (e quem sabe, afinal?), mas você precisa descobrir o que é certo! 

Não, nós não concordamos com a miséria ou com a corrupção. Também não acho que possa parecer razoável a alguém que milhões de pessoas sintam fome enquanto milhares detém riquezas intermináveis.

NÃO É JUSTO!

Então PARA E PENSA!

De que serve tudo o que você faz ao mundo? Para que VOCÊ serve? Fazer funcionar o departamento de alguma grande empresa? Ganhar muitas causas para seu cliente? Maximizar lucros daqueles que já tem muito dinheiro?

É isso que você quer da sua vida? Assim você vai atingir seus objetivos?

Ganhar muito dinheiro, poder comprar o que quiser, consumir todos os enlatados que puder, ter um armário gigante com roupas de última moda?  Isso NÃO É CERTO! É crime contra a humanidade. Você SABE que da sua fartura resulta toda a exploração do homem pelo homem. NÓS SABEMOS! E continuamos a existir, pacificamente, afinal pagamos nossos impostos, não é?

E vivemos em uma democracia. Se o povo quisesse as mudanças, seus votos o fariam.

MENTIRA!

O povo está preso. Não lhe é permitido pensar! Pão e circo. Isso é feito a milênios! E, infelizmente, funciona.

Seja prático! Ideologia que não se reverta em atitude não serve pra mudar o mundo. Revolta destrutiva também não. Não adianta NADA você ficar chorando as dores do mundo. Não são das suas lágrimas que ele precisa. É da sua AÇÃO! ACORDA!

E não me fale de ceticismo. É óbvio que as coisas estão difíceis. Mas você não está aqui? Estar aqui não é uma escolha? Se você escolheu estar aqui, que pelo menos faça o seu melhor! Sabe, talvez você não possa mudar o mundo. Mas sua vida pode ser um passo em direção a essa mudança.


Elogio do Aprendizado

(Bertolt Brecht)

Aprenda o mais simples!
Para aqueles cuja hora chegou
Nunca é tarde demais!
Aprenda o ABC; não basta, mas aprenda!
Não desanime! Comece! É preciso saber tudo!
Você tem que assumir o comando!
Aprenda, homem no asilo!
Aprenda, homem na prisão!
Aprenda, mulher na cozinha!
Aprenda, ancião!
Você tem que assumir o comando!
Freqüente a escola, você que não tem casa!
Adquira conhecimento, você que sente frio!
Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma.
Você tem que assumir o comando.
Não se envergonhe de perguntar, camarada!
Não se deixe convencer!
Veja com seus próprios olhos!
O que não sabe por conta própria, não sabe.
Verifique a conta É você que vai pagar.
Ponha o dedo sobre cada item
Pergunte: o que é isso?
Você tem que assumir o comando. 

Bem de perto

Publicado: agosto 7, 2007 em Música, escrever, sentir..., Reflexões

Prestar atenção no mundo. Quanta coisa está acontecendo a nossa volta sem que possamos perceber? Alias, o que diferencia as coisas que a gente vê das coisas que a gente enxerga? 

Às vezes o mundo que a gente vive não parece o lugar para que possamos viver o que a gente sente. E o refúgio quase nunca está lá fora. Mas estamos tão desacostumados a olhar pra dentro.

Não sejamos irresponsáveis com nós mesmos. Façamos movimento dos desejos, façamos vida dos sonhos.

— 

Eu te ofereço o meu gesto mais simples e sincero
É o que tenho de menos material
O que há de mais verdadeiro e singelo
Nada me é mais valioso. Nada me é mais real…

E eu te quero. E não sei querer de outra forma
Ver, respirar, ouvir, tocar, experimentar. Sentir
Te quero assim. Te quero mais
Volta aqui? Vem mais um pouco…

Te protejo
Do frio. Do escuro.
Do que precisar. Ou sem precisar mesmo
Só pra te abraçar forte. Só porque é bom…

Vamos voar
Mas sempre que precisar de um ninho
Meus braços estão abertos. Meu peito quer o seu descanso. Meu corpo gosta da sua temperatura
Mais pele, bem de perto.