Arquivo de janeiro, 2008

As coisas mudam tão rápido. O tempo é cada vez mais veloz.
Quanto tempo a gente espera para ter a chance de falar o que gostaríamos, demonstrar o que gostaríamos, fazer o que gostaríamos, e como fazemos quando, então, chega a hora?

Tenho procurado um pouco mais de intensidade (e é uma busca contínua, um objetivo perseguido de diversas e diferentes formas). Muito de mim em tudo o que faço. É desgastante e cansativo, mas é bem recompensante. É um papo bem antigo, costumo repetir bastante, e ainda assim me surpreendo. 

Ato 1

Saber interpretar os sinais: é possível que as pessoas queiram as mesmas coisas que você, sintam as mesmas coisas que você, mas manifestem e demonstrem isso de formas diferentes. Nem todos temos os mesmos limites, os mesmos momentos, as mesmas possibilidades. A amizade pode ser declarada de muitas maneiras, e o que temos que fazer é estar aberto a todas elas. A confiança que recebi ajudou a suprir um pouco das ausências que não poderia deixar de sentir.

Ato 2

É muito gostoso quando tem tudo pra dar merda e chega alguém salvando o dia. E melhor ainda é saber que existem pessoas queridas que, mesmo que distantes, realmente se importam conosco. Alias, acho que a gente menospreza muito o que os outros sentem em relação a nós. Talvez se fossemos um pouco mais preocupados com coisas pequenas nos dariamos a chance de fazer pessoas queridas mais felizes (o que no meu caso é uma realização tremenda). Cartas, telefonemas, emails, cartões, um livro, ou convites repentinos.

Ato 3

Engraçado como a maioria das pessoas se tornaram indiferentes em relação a miséria. Na rodoviária de brasília, um homem apaga, cai de cabeça no chão, começa a ter um ataque epilético (e aquelas cenas de filme, espumando pela boca, contorcendo-se, etc), e num raio de 50 metros, o máximo que as pessoas fazem é olhar curiosas.
E é sempre assim: se é alguém arrumado, cheiroso, limpo, a ajuda existe e é abundante, sempre tem alguém para segurar seu braço e pedir socorro. Mas se é um mendigo bêbado/sujo, não há nenhum esforço em ajudá-lo. No máximo comunicar a um segurança que tem um cara tendo um ataque em tal lugar.
Já estava ficando puto e prestes a perder o controle (a indignação, quando elevada de forma exponencial, faz a gente ficar meio maluco), quando chegam duas mulheres para (tentar) ajudar. Acho que tinham uns 40 anos, uma era médica e a outra estudante de Direito. Sabe, eu estava a um ponto de mandar as pessoas tomarem em seus respectivos pequenos orifícios, e de repente as duas me aparecem, sem o mínimo de nojo, a médica me ensinava como segurá-lo para que não se machucasse mais e a estudante ligava para os bombeiros pedindo auxílio médico, cobrando previsão de chegada, essas coisas.

Às vezes a gente acha que está sozinho, mas perto da gente podem estar pessoas dispostas a ajudar. Dispostas a perder parte do seu dia para tentar ajudar alguém, mesmo que seja alguém de tão pouca importância para o resto do mundo. E se às vezes alguns acontecimentos insistem em me dizer que estamos indo de mal a pior, é só estar atento, e estar agindo de acordo com o que se pensa, que acabamos encontrando algo de que muito preciso para continuar vivendo: sonhos e esperanças, a semente da transformação dessa sociedade egoísta para uma coisa mais… humana.

Sobre mim?

Publicado: janeiro 20, 2008 em Olhar para dentro

Novo texto escrito para o meu about me no orkut. Não sei, queria dizer algo sobre 2008. Os sentimentos são intensos, mas as palavras não andam sendo capazes de traduzi-los de maneira satisfatória. O que sei é que sinto saudades, de estar mais aqui, e pessoas daqui. Vamos ver se conseguimos cuidar disso…

Um pouco de água no rosto: é bom para acordar.
O ruim não é quando os olhos estão fechados (eu faço isso enquanto durmo, ou quando sentimentos ou sensações intensas me inundam).

O péssimo é quando os olhos estão abertos e não conseguem ver nada.
Pior do que isso (e eu acho que enfrentamos aqui o maior desafio ao comportamento humano) somente quando temos os olhos abertos, podemos ver, mas somos indiferentes ao que vemos.

Indiferentes

a miséria que encontramos
(no caminho até o trabalho ou na áfrica, a fome e a solidão)

aos sonhos alheios
(cada vez mais restritos ao nosso próprio umbigo – sem perceber o que aquele cara já disse: sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só)

com as pessoas especiais
(o que é preciso demonstrar nesse mundo? o quanto somos competentes, capazes, quantos amigos temos no profile do orkut ou quantos depoimentos apaixonados – a imagem, nas suas diversas formas, continuará sendo mais importante do que o conteúdo? Será que as pessoas precisam de mensagens bonitinhas ou de demonstrações mais reais e tangíveis de carinho e afeto? Às vezes surge a dúvida)

A sensibilidade é necessária, mas não suficiente. Sua alegria ou tristeza são irrelevantes se não gerarem atitudes em relação ao que se sente. Atitude – pequenas, médias e grandes – é o que precisamos.

Vamos, vamos. Eu estou precisando de um pouco de inspiração, estou querendo um pouco mais de verdade na construção dos meus dias. Verdades que agreguem e construam, que me façam sorrir e amar, que tornem a minha permanente insatisfação e revolta em sentimentos cada vez mais plenos no sentido de me oferecerem a força para lutar pelas transformações que acho necessárias.