2008

Publicado: fevereiro 5, 2008 em Olhar para dentro, Reflexões

Neste ano muitas coisas especiais vão acontecer. É isso que eu sempre pensei para o começo de cada ano que vivi desde que me lembro por gente, e não vai ser diferente agora.

Eu lutarei para que os sentimentos sejam cada vez mais intensos. Sei que a dor é inevitável e serei sereno: sem fugas desesperadas, sem dores desnecessárias.

Para cultivar estes momentos intensos eu preciso entender melhor tudo o que acontece dentro de mim. O que me motiva, o que me faz feliz, o que eu preciso cultivar, o que eu quero para mim. E (felizmente) não há tanto segredo:

Me faz feliz estar perto dos meus amigos, pilares fundamentais que me fazem acreditar que o mundo pode mudar. Ou que me fazem rir até cair no chão com piadas absolutamente cretinas. Isso pode parecer simples, mas é o que mais me atrai e encanta nas pessoas: a capacidade de ser consciente e não permitir se alienar sem que com isso o peso se torne demasiadamente insustentável.

Talvez seja porque essa é uma das minhas maiores buscas. Não é sempre fácil me manter sereno quando o mundo em que  vivo é tão diferente do mundo em que gostaria de viver – e essa inquietação e intranqüilidade até que são bem vindas, porque me dão força para lutar pelas transformações nas quais acredito.

Mas às vezes, e especialmente quando a distância entre o querer e o viver são maiores do que posso transpor com minhas próprias pernas (o mundo que quero é mesmo tão diferente! – e certas coisas tão difíceis de mudar), ainda me curvo um pouco diante do que Drummond chamou de Sentimento do Mundo. E é por isso que sou tão dependente das pessoas (de conhecer, de estar perto, cultivar amizades, demonstrar o que sinto, tentar ser construtivo). Porque são elas que, mesmo sem saber, me permitem dizer que há muito mais do que duas mãos, que minha luta transcende minhas fronteiras pessoais, e que viver, apesar de tudo, ainda vale a pena.

E eu tenho descoberto cada vez mais a importância dos pequenos gestos. Engraçado como o discurso às vezes nos fala tão pouco enquanto algumas pequenas atitudes nos demonstram tanto. As pessoas podem ser realmente tão diferentes daquilo que enxergam em si! Tenho prestado atenção nos pequenos detalhes, em todos os tons de voz, nos abraços amigos, nas mensagens de carinho, em cada pedacinho do que recebo do mundo.

Amo Florianópolis. Amigos, um oceano gigante e lindo, um céu estrelado. Às vezes até esqueço o porquê de precisar voltar.

    Sentimento do mundo
    Carlos Drummond de Andrade

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

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comentários
  1. pedro keppler disse:

    mas é osso

    se não volta também

    eu passo aflição de não ter raiva no ônibus, na calçada, em todo lugar de São Paulo

  2. Carol disse:

    Gabriel,

    Fico feliz por ti e por saber dessa tua viagem que parece ter sido maravilhosa!

    Eu tive ótimos momentos em FLORIPA, jamais esquecerei. Uma colega e sua família me receberam de braços abertos e me mostraram os maiores encantos de lá, que não são poucos.

    Desejo um 2008 cheio de dias lindos e azuis para ti!

    Beijos,
    Carol

  3. Cátia disse:

    Nada mais , nada menos, do que a capital mais linda deste país.
    E porque é a minha também.

    Como você é bacana, e tem valorizado cada detalhe da vida e das pessoas.

    da uma espiada lá em casa no que me aconteceu hoje.
    Somos parecidos no valor que damos as pessoas , gestos , atitudes.

    Ja te falei que adoro quando vc se inspira e posta por aqui.

    Hoje to feliz, me empolguei rs

  4. Rose disse:

    Gabriel:
    Passo para uma visita e também para lhe agradecer o comentário no Eternessências…
    Gostei dos seus questionamentos… de suas procuras e dos seus anseios expressos aqui.
    Também os tenho; também os faço; isso , talvez, demonstre uma certa afinidade entre nós. Por isso, voltarei.
    Assim poderei conhecê-lo melhor!
    Um abraço de carinho!
    Rose.

  5. Muito linda sua mensagem, Gabriel. Também penso, no começo de cada ano, que muito será diferente, mudado (ou evoluído), melhor. Foi o próprio Drummond, mas em outro poema, quem disse da beleza (e esperteza) de se dividir o tempo em 365 dias e renovar todas as nossas esperanças pessoais. Continue absorvendo o mundo e as pessoas que ama, você merece um ano de sentimentos intensos.
    Abração!

  6. Colombina disse:

    Cuidado. Gabriel está sensível. O que não significa frágil – vivo confundindo as duas coisas. Dificilmente planejo meu ano, mas ano passado fiz isso e deu tudo certo em 2007. Ou quase – tinha planejado me inscrever na EAD mas não quiz fazer isso na hora. Na agenda tinha uma parte de planejamento mensal, daí coloquei coisas do tipo: passar de ano sem pegar DP, estudar bem, estudar muito bem, estudar com método… rs. Mas o incrível é que deu certo, mesmo depois de tirar algumas notas baixas e ficar angustiada. Na virada do ano não espero nada do futuro, ele vem sem que eu espere. Da mesma forma que nem o Loro me chama, costumo aparecer sem ser chamada. Depois vou embora da mesma forma que vim: do nada. Hum… não devo ser a única criatura a viver assim.

    Qual a parte não dá pra entender no samba enredo que postei? Resto do carnaval de uma cidadezinha do interior mineiro. Uma abobrinha que só turistas daquele carnaval puderam ouvir.

  7. Katia disse:

    Friso.
    Você me faz acreditar em tanta coisa que não é nada, mas é tanto.

    Eu te leio até no que você não escreve, Gabi.

    Continuo acreditando em ti…

    Êita saudade que eu também tô de Floripa.

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