Arquivo de março, 2008

Eu procuro uma pessoa que seja, acima de tudo, construtiva. Que fique muito feliz quando as coisas dão certo para aqueles que merecem. Alguém que goste muito de dizer sim (quando dizer significa “vamos aproveitar esse momento”, “vamos fazer essa loucura”, “vamos cantar na chuva”, “vamos encontrar a galera” e, principalmente “vamos mudar o mundo”). Alguém que goste muito de dizer não (quando dizer não significa “não vamos aceitar a miséria”, “não vamos ficar vendo TV”, “não deixe de contar comigo” e “não vamos ficar de braços cruzados”).

Alguém que queira muito viver intensamente (e que ache que viver intensamente significa estar presente na vida dos amigos, ter projetos de transformação, ter pique para acordar cedo se for preciso [ou dormir bastante quando possível], inventar a energia necessária para se fazer aquilo que se quer).

Alguém que ame muito a liberdade, e que não abra mão dela. Que saiba plantá-la no coração das pessoas com quem convive (aquela pessoa que sabemos que podemos contar, sem que, por momento algum, permita que qualquer um se sinta o seu dono).

Que saiba respeitar os momentos do outro, e que saiba estar lá, mesmo sem ser chamada, quando se precisa dela. Que esteja realmente disposta, e que não tenha problemas demais de maneira que não possa ouvir aqueles que precisam. Que goste de dançar (e tolere um pouquinho aqueles que não sabem). E também de cantar sempre que ouça um violão (ou assim, mesmo sem nenhum instrumento de fundo). Que goste da lua e as estrelas, e que possa ficar várias horas só curtindo o barulho do mar.

Que saiba ser tolerante e flexível quando o que se precisa é de compreensão e companheirismo. Que saiba ser firme e inflexível quando o assunto for agir de acordo com seus princípios e ideais.

Que sempre procure o horizonte ao subir os picos mais altos, e que ache o máximo quando começa a garoar quando você põe o pé para fora de casa. Que vibra quando duas pessoas especiais se encontram. E que torça muito para que as pessoas que ama sejam felizes. Que não tenha vergonha de abraçar forte um amigo.

E que goste de fazer as pessoas sorrirem (isso é bastante importante). Que aprecie massagem e carinho. Que tenha iniciativa. Que não tenha tempo para perder com mesquinharias. Que seja apaixonada pelo mundo. Que queira fazer a diferença e lutar pelas revoluções. Que ache que as pessoas precisam (e merecem) uma vida melhor.

Que tenha muitos sonhos e desejos, e que lute para torná-los possíveis, sem ter medo de vivê-los. Que seja lispectorianamente boba. E cujas palavras, como bem disse Brecht, soem como alento e esperança para os que dela precisam, e como espadas afiadas diante dos corruptos e exploradores.

Tudo bem, tudo bem. Não é muito fácil, mas quem disse que eu preciso procurar coisas fáceis? Acho que aqui listei a maior parte dos motivos pelos quais eu já me aproximei das pessoas de quem gosto. E é claro que é humanamente impossível ter tudo isso ao mesmo tempo, sempre. Mas atrás disso se encontram os princípios e valores e belezas e calores de todas as pessoas que realmente admiro e com quem espero poder partilhar cada vez mais minha vida. Por isso, cada encontro com alguém em que posso enxergar isso é único e especial, e é por saber que existem pessoas assim que digo a todos que vale a pena procurar.

(e, isto é um segredo, mas saber que existem pessoas assim, e que posso participar da vida delas com as palavras que aqui escrevo é um dos meus pequenos prazeres secretos. Mas não contem para ninguém).