Arquivo de julho, 2008

(Escafandro: armadura de borracha e ferro usada por mergulhadores para trabalhos em grande profundidade aquática, que lhes permite resistir à pressão da água)

Durante toda a nossa vida nos vestimos de diversas armaduras para nos proteger daquilo que pode nos ferir. Em todo o lugar, e a todo instante, pessoas em pesados escafandros que lhes evitam a dor, e permitem que se agüente a pressão.

Mas também evitam algo mais. Algo que é preciso e necessário. Algo que o cotidiano, a rotina e o cansaço insistem em demonstrar como fugaz e superficial, mas que o coração não nos deixa esquecer o quão imprescindível é – e continuamente se manifesta, seja através da permanente surpresa em perceber a felicidade através dos pequenos gestos e atitudes nos quais verdadeiramente nos reconhecemos, seja através da solidão decorrente das horas monótonas que invadem o tempo (daqueles que não tem tempo!).

Cuidado com o que vai renunciar em nome da sobrevivência. A repetição do que agora é pode não ser aquilo que você deseja que se transforme. Vamos nos libertar do peso da nossa armadura para que possamos sentir através dessa grossa camada de indiferença que nos invade sob o nome de “preservação”. Vamos perceber o que é nosso cansaço, e o que é a constante dificuldade em discernir as reais dificuldades das mortais conveniências.

Podemos desistir porque é difícil. Ou continuar porque é importante. Fazemos nossas escolhas. E, da forma que nos for permitida, faremos o nosso melhor.