As Borboletas e seus Escafandros

Publicado: julho 28, 2008 em Música, escrever, sentir..., Reflexões

(Escafandro: armadura de borracha e ferro usada por mergulhadores para trabalhos em grande profundidade aquática, que lhes permite resistir à pressão da água)

Durante toda a nossa vida nos vestimos de diversas armaduras para nos proteger daquilo que pode nos ferir. Em todo o lugar, e a todo instante, pessoas em pesados escafandros que lhes evitam a dor, e permitem que se agüente a pressão.

Mas também evitam algo mais. Algo que é preciso e necessário. Algo que o cotidiano, a rotina e o cansaço insistem em demonstrar como fugaz e superficial, mas que o coração não nos deixa esquecer o quão imprescindível é – e continuamente se manifesta, seja através da permanente surpresa em perceber a felicidade através dos pequenos gestos e atitudes nos quais verdadeiramente nos reconhecemos, seja através da solidão decorrente das horas monótonas que invadem o tempo (daqueles que não tem tempo!).

Cuidado com o que vai renunciar em nome da sobrevivência. A repetição do que agora é pode não ser aquilo que você deseja que se transforme. Vamos nos libertar do peso da nossa armadura para que possamos sentir através dessa grossa camada de indiferença que nos invade sob o nome de “preservação”. Vamos perceber o que é nosso cansaço, e o que é a constante dificuldade em discernir as reais dificuldades das mortais conveniências.

Podemos desistir porque é difícil. Ou continuar porque é importante. Fazemos nossas escolhas. E, da forma que nos for permitida, faremos o nosso melhor.

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comentários
  1. Verônica disse:

    Esse texto representa um pouco do que estou vivendo atualmente.

    Renunciemos à maioria das armaduras.

    Beijos e boa semana.

  2. Ela disse:

    “A felicidade através de pequenos gestos”
    É muito importante exercitar todos os sentidos, para que posssam sentir, acariciar, dizer… interpretar esta felicidade.

    É uma questão pura de escolha!

    Adorei seu retorno!

  3. Alessandro disse:

    Muito bom seu texto! Parabéns!

  4. Jac Oliveira disse:

    quanto sofremos pelas armaduras que os outros vestem e pelas que nós mesmos vestimos em razão desse sofrer… a vida é cheia de ciclos.. e somos influenciados pelas energias de outras pessoas… por isso é difícil atravessar pela vida imune a estes medos.

    adoro-te menino.

  5. Luciana disse:

    No mundo em que vivemos as pequenas coisas nem sempre recebem sua devida importância, quando na verdade são esses gestos sutís que no fim fazem a diferença.
    Gostei do texto!

  6. Pois é, a mídia qnd quer, caga no pau.
    E pra piorar, as mulheres (nem todas, é claro), contribuem para a merda toda.
    Mas, vamos manter a nossa personalidade.
    Falando em personalidade, eu estava pensando sobre seu último post… muitas renúncias. Algumas eu acertei, outras eu errei, mas a gente sempre tem q abrir mão de velhos hábitos.
    Em algum livro do Paulo Coelho, ele disse algo como “saber terminar um ciclo e começar outro”, porque “se você teima em continuar no mesmo ciclo, se arrisca a tomar uma sacudida de Deus”. Mais ou menos isso. Essa passagem me marcou, porque eu sei q é difícil fazer certas renúncias, mas enfim, é necessário e depois vc percebe q é melhor.

  7. Colombina disse:

    Isso me lembra que renunciei ao circo… snif snif…

    Quando li “O livro da mitologia” soube que borboleta em grego é Psique, que também significa alma. O dotor aí curte psicologia e sabe disso, certo?

    Meu escafandro é o de pessoa normal, trabalhadora discreta. Agora entendo porquê Fernando Anitelli pinta o rosto pra ser ele mesmo no palco.

    Qual é sua armadura, anjo encarnado?

  8. Cadinho RoCo disse:

    É sempre muito importante atuarmos naquilo que em nós estampa o libertar de nós mesmos.
    Cadinho RoCo

  9. GABRIEL!!!
    É a Nath!! Ela tb é uma grande amiga e parceira de show MegaRex… ou era.

  10. Nina disse:

    Eita, eita, demorei mas vim te visitar! Me desculpe a demora!

    Eu adorei tudo aqui, e seu texto… Soa meio profético! Juro! Acabei de sair de uma sessão: “Profecias na era on-line”, e seu texto foi a cereja no bolo!

    Armaduras, casulos, mudanças… Eis que a vida é um ciclo, a gente sempre está fugindo da dor, de tanta coisa, mas um dia a vida pega a gente de jeito. E às vezes é para o bem, mas não é bom.

    Encarar? Será a melhor solução? Resistir, insistir?

    Está em nossa natureza, não nego. Mas às vezes me canso das soluções bonitas e óbvias.

    Porque irritantemente, são SOLUÇÕES! E tudo isso faz sentido e tem razão!

    =/

    (Ah, “anterior a mim mesma”, eu vi isso em uma crônica do Vinicius de Moraes, hehe, e a sensação é de quem está seguindo na vida pelos versos e melodias de uma canção, que soa desde sempre, antes de mim e de tudo… Entende? Viagem, eu sei, mas…)

    =*****

  11. Ísis disse:

    “Cuidado com o que vai renunciar em nome da sobrevivência.”

    Nem precisava dizer mais nada.

    😉

  12. AnaLua disse:

    Gabriel, depois que li seu post, engoli em seco! Tenho renunciado a tanta coisa em função da sobrevivência! Quanta solidão tem invadido o meu tempo tão escasso!
    Mas também já provei o quão perigoso é quando borboletas saem do casulo. A liberdade por vezes é tão breve! Asas são mais frágeis que casulos, mas são mais belas, com certeza! E breves segundos também compensam toda uma existência!
    Beijos enluarados!

  13. Marilac disse:

    Gabriel,
    Esse texto é um alerta ao modo como conduzimos nossas vidas as vezes sem nos darmos conta de quem realmente somos e de como estamos utilizando nosso tempo para fazer o que é realmente importante!A felicidade esta contida em tantos momentos simples , pequenos gestos que tocam profundamente o coração!E muitas vezes vamos deixando para depois, para um dia, ou quem sabe nas proximas férias..

    O video completa a mensagem de forma brilhante, não sabemos o tempo que temos…

    Essa frase sugere uma reflexão das mais importantes:
    Cuidado com o que vai renunciar em nome da sobrevivência

    bjs
    Marilac

  14. Alice disse:

    Nossa Gabriel…
    Se você soubesse como eu quero ver esse filme…

    Mas as coisas por aqui andam corridas.
    O site novo está no ar já.

    Tomei a liberdade de pegar emprestado um recadinho seu.
    Está no quadradinho verde.

    Espero sinceramente que você goste.

    Beijo meu,
    Alice

  15. Carol disse:

    Gabriel,

    A vida são sempre escolhas e a gente costuma andar a maioria do tempo com armaduras. O problema é quando escolhemos as armaduras na hora que podíamos vestir flores.

    O difícil é dosar o tempo, o tempo de descansar, de ser leve, de rir de si mesmo, de esquecer de si mesmo…

    O tempo é sempre pouco para quem faz muito e sempre nos escapa e no contraponto nem sempre fazer muito seja realizar-se.

    As borboletas voam porque se transformaram com o tempo. Temos que nos transformar… em algo “melhor” sempre. Para isso precisamos nos conhecer primeiro, o que convenhamos não é nada fácil…

    “Mas quem foi que te disse que viver era fácil?”

    Beijos,
    Carol

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