Arquivo de setembro, 2008

Você não consegue se mover. O peso é grande demais. São muitas contas no final do mês. Eles dependem de você. Um passo em falso e tudo pode ser destruído. Ninguém vai entender. Você vai querer voltar atrás, e será tarde demais. Você tem sorte, não vá se perder no caminho.

Feche seus olhos. Olhe para dentro. Se pretender cortar as amarras, tem que ser de dentro para fora. Não espere ninguém chegar. Não espere ninguém ir embora. A mudança depende, fundamentalmente, de você.

Você está tão cansado. O cansaço te consome. Não há tempo. Sobreviva, e o futuro lhe pertencerá. Esta não é a hora certa para viver. Invista no seu futuro, cuide do seu futuro, viva o seu futuro. Você poderá fazer mais depois, você poderá ser mais depois. Olhe para frente, siga em frente, não se disperse. Foco nos resultados. O que seus olhos não podem ver, não é importante. Do que seus olhos desviam, isso precisa ser esquecido.

O meu tempo é o presente. Não serei aquele que vive de saudades, sem buscar aqueles que ama. Não aceitarei como natural um sistema social que impõe a miséria material e existencial. Na minha rua, andarei com os meus passos (e só assim poderei caminhar autenticamente ao lado de quem for).

Você é fruto do mundo em que vive. Sinta a brisa, suave, arrastar-lhe. Se entregue e escape do turbilhão de medo. Você é um grão levado ao vento. Se vier por aqui, não virá sozinho. Não caminhe em direção à parede. Depois da montanha, só há o abismo. Aquilo é muito longe (não saia de perto!).

Não somos agentes passivos daquilo que vivemos. Não somos simples vítimas das circunstâncias. Somos conscientes (ou, ao menos, temos potencial consciência). Podemos escolher ser o movimento. O pássaro ou a paisagem. As coisas podem acontecer com a gente, ou podemos fazê-las acontecer.

Mais ação, menos omissão.

Mais atitude, menos sorte.

Mais agito, menos acomodar.

Mais pensar, mais agir, mais sentir.

p.s.: escrevo este post enquanto assisto à entrevista concedida pela Ana Mariane ao Jô Soares. 98 anos, 45 anos de trabalho social prestado junto a idosos, pessoa de lucidez admirável, amor pela vida que exala através de um olhar vívido e inteligente, daquelas que sabem porque estão aqui e porque querem continuar aqui.

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