Arquivo de janeiro, 2009

Vamos escrever um livro?
Vamos conversar com pessoas estranhas na Paulista?
Vamos encontrar um projeto social para investir esse ano?
Vamos nos politizar mais?
Vamos passar a tarde no Ibirapuera?
Vamos cantar durante horas no show de uma pessoa que nos fala à alma?
Vamos fazer yoga?
Vamos ajudar alguém?
Vamos aprender coisas novas?
Vamos cumprir antigas promessas?
Vamos superar nosso orgulho?
Vamos subverter a moral que não nos serve?
Vamos desrespeitar velhos dogmas?
Vamos exterminar o ciúmes?
Vamos nos tornar pessoas mais práticas?
Vamos aprender a extrair o máximo de prazer?
Vamos montar uma banda?
Vamos querer e fazer cada vez mais?

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O meu ano novo está dentro de mim.

Não está em janeiro, no diploma recém conquistado, prova da OAB ou na nova fase profissional.

Não está no meu tempo novo, está no que eu farei de novo no meu tempo.

Não está no que vai vir, está onde eu vou chegar.

A maturidade não é uma conseqüência simples e inevitável. É fruto de um processo de reflexão, é saber que aquilo que se sabe nunca é demais. Que podemos e precisamos aprender cada vez mais, sempre.

(Acho que o ano novo começa quando a gente para de se acomodar e decide ir à luta. Quando a gente se permite sentir mais, e quando a gente se aplica em viver mais aquilo que sente)

O ano novo começou em muitos aspectos para mim. Sinto ressurgir uma esperança e disposição que andaram ofuscadas nos últimos anos. Conheço-me e sei que este é meu combustível mais fundamental, o maior catalisador das mudanças.

Que tudo isso exploda dentro de mim e resulte numa intensidade cada vez maior. Pois eu preciso, mais do que nunca, do meu ano novo.

Receita de Ano Novo de Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar, que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.