Arquivo de março, 2009

Novo ciclo (ou reciclagem?)

Publicado: março 18, 2009 em Olhar para dentro

(essa é a minha história, mas, se você olhar bem, vai encontrar a história de tanta gente)

E agora posso dizer, finalmente, que aqui se encerra um ciclo. Como a maioria das coisas que acontecem em nossas vidas, não foi uma transição radical, de rupturas absolutas. Mas o impacto do ciclo que se encerra já pode ser sentido e ecoa dentro de mim.

(o que precisa ser feito geralmente sempre tem um peso maior do que queremos que seja feito)

Terminei o curso de Direito em uma faculdade que respira história e ideologia. Assim como a maior parte dos colegas formandos, saí com a sensação de que podia ter feito mais: estudado mais, vivido mais a vida universitária, aproveitado mais as possibilidades oferecidas pela universidade, o contato com professores tão especiais, pessoas de cursos tão diferentes, mas tão próximos.

Mas, mais do que isso, saí com a sensação de dever cumprido. De que iria até o fim, e mesmo que o sentido daquilo tudo não estivesse sempre tão claro, eu não usaria as minhas inseguranças como subterfúgios para andar por caminhos mais fáceis. Eu tinha uma verdade e a persegui.

(nem sempre conseguimos chegar até a verdade que procuramos. e eu tenho medo das certezas de verdades absolutas – estas não são as minhas).

Ainda assim, a odisséia não termina com o diploma de bacharel. É preciso passar na OAB. Uma prova sobre um universo amplo, e às vezes formal e abstrato demais, que vai tentar te dizer (de forma subjetiva, mas cruel), qual o valor dos seus cinco anos anteriores de estudo. Discordo da prova da OAB enquanto conteúdo e método plenamente eficaz para seus fins, mas era um desafio que eu estava disposto a enfrentar.

(continue a nadar, continue a nadar)

Não poderia saber de melhor forma que fui aprovado nessa tal OAB: o telefonema da pessoa que mais me foi especial naquela faculdade, amiga daquelas de se compartilhar os ideais mais profundos (através das idéias políticas mais conflitantes). Encerro aqui uma faculdade que nem sempre foi prazerosa, mas que me ensinou muito sobre o mundo.

(mas não o suficiente) (nunca o suficiente).

E é por isto que prestei Ciências Sociais na USP. E o ditado “distraídos venceremos” nunca foi tão conveniente: a ausência de preparação e expectativas fez com que a aprovação fosse uma possível surpresa. E agora lá vamos nós. Os objetivos, agora, são bem diferentes, mais flexíveis. Diferente do Direito, é um caminho que eu só posso enxergar o começo, sem saber exatamente como será em seu fim.

(“é caminhando que se faz o caminho”)

E renova-me a disposição para me reinventar, e fazer melhor. As minhas necessidades estão cada vez mais pulsantes, e compreendo cada vez mais o quanto necessito de certas transgressões ao senso comum. Pessoas e lugares novos, idéias sendo construídas e questionadas, e um universo todo a ser conquistado (e compartilhado). Estou em cima da ponte, mas o precipício não me assusta mais. Se for para cair, que seja para voar (não acredito que o céu seja o fim, e, se for para estar sob a terra, farei valer a pena, tanto quanto puder).

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Olhar para dentro

Publicado: março 1, 2009 em Olhar para dentro, Reflexões

A vida da maioria das pessoas que eu conheço é um constante turbilhão de atividades. A rotina padrão é extenuante: trabalho, cursos, transportes, responsabilidades, relacionamentos. Às vezes parece que a sociedade se organiza de modo a não permitir que as pessoas tenham tempo livre.

Olhe ao seu redor e preste atenção no que as pessoas estão fazendo. Será que suas escolhas são adequadas às suas necessidades? Será que o que estão fazendo é o que as faz feliz, o que as realiza? Ou será que elas realmente não tem outra opção?

O que a inércia pode fazer conosco é extremamente perigoso. Romper o ciclo vicioso e olhar para dentro é fundamental. Isto não significa esquecer o que está ao seu redor: a consciência sobre si mesmo permite que a sua percepção sobre o mundo atinja novas perspectivas.

Por isso o recomeçar tem sido, em grande parte, introspectivo. Descobrir o significado dos problemas, angústias, paixões. Algumas perguntas tem se repetido dentro da minha busca, e pensei que talvez pudessem ser recorrentes, questões que outras pessoas também compartilhassem.

– Aquilo que você busca conscientemente (aquilo que sabe que quer) é igual ao que busca inconscientemente (a maneira como você age)?

– Você acha que em geral tem sentimentos justos em relação às pessoas? Aqueles que você ama são merecedores do seu amor? Aqueles que você odeia são merecedores de todo este ódio?

– Como você lida quando suas vontades e desejos são contrários ao que você acha certo?

– Como você encara o fato de que a morte (sua e de pessoas queridas) é inevitável? O que você acha que precisa fazer para que o medo da morte não se torne um problema para você?

– Você se realiza com aquilo que você faz? Você gosta daquilo que é? O que te impede de mudar aquilo que julga necessário?

Essas são algumas das questões, e cada uma delas tem me feito refletir sobre alguns dias. Apesar de parecerem perguntas abstratas, pensar em nossas vidas a partir destas questões pode nos trazer um ganho de compreeensão bastante concreto.

(o que vocês encontraram?)

Recomendo: a leitura de Irvin D Yalon. Pretendo comentar alguns de seus livros em breve, mas a leitura de seus livros (que não são sobre teorias, mas sim sobre pessoas e seus problemas existenciais), tem me auxiliado bastante neste mergulho introspectivo.