Arquivo de junho, 2009

– Ter as expectativas frustradas várias porque as pessoas combinam coisas que não cumprem por displicência;
– Perceber a incapacidade de pessoas e movimentos de agirem de acordo com as idéias que proclamam defender; e
– Ter magoado um grande amigo por ter sido orgulhoso demais.

Tudo isso aconteceu em um espaço de tempo muito curto, roubou meu sono e está me fazendo refletir sobre o porquê de ser tão difícil que nós possamos nos manter coerentes com aquilo que pensamos e sentimos.

Acho que, quando estamos tristes, a tendência é encontrar respostas simplistas e superficiais para as dificuldades. Sobre meu orgulho, sou imperfeito, sobre os canos que levei, é porque nem todos se importam realmente, sobre a incapacidade de certos movimentos de serem tão democráticos quanto aquilo que pregam, é porque eles seriam, de fato, pessoas pouco preocupadas com a democracia.

Acontece que esta análise não só é incapaz de demonstrar o que de fato podemos perceber ao prestar atenção, como também diz muito mais sobre nossos próprios medos, inseguranças e limitações do que daquilo que realmente acontece.

A princípio, tudo soa um pouco confuso. Mas se olharmos para dentro podemos entender um pouco melhor o que acontece ao nosso redor. O quão rígido é nosso sistema moral? O quanto nos importamos em fazer tudo aquilo que acreditamos, e o quanto adiamos decisões, atitudes e posturas necessárias por motivos que nós mesmos consideramos fúteis, distrações e subterfúgios do dia-a-dia que nos afastam daquilo que sabemos e sentimos importante?

A coerência sempre foi um dos meus princípios basilares, e por conta disso eu já me decepcionei com tanta gente, de formas tantas vezes irremediáveis. Mas o ser humano também parece uma ambiguidade e paradoxo tão grande, que exigir coerência sobre tudo e a todo instante me soa como perigoso: estarei exigindo aquilo que eu mesmo não posso oferecer.

Portanto, o mais importante me parece menos exigir a perfeita coerência sobre tudo o que se fala, pensa, sente e faz, e mais entender o processo em si que faz com que o resultado final seja tão diferente dos ingredientes (quando o que acontece não é mesmo aquilo que se queria que acontecesse). Eis um instigante exercício: ao invés de culpar as incoerências, que tal tentar entendê-las para que possamos construir, para nós mesmos, uma vida mais coerente com tudo o que acreditamos e sentimos?

Vamos nessa?