Universo em expansão!

Publicado: julho 12, 2009 em Olhar para dentro, Reflexões

Casa nova. Paredes brancas (por enquanto), cômodos vazios. E, acima de tudo, o silêncio. A vida segue por linhas tortas, mas talvez nada seja como antes. Depende de tudo o que eu fizer de agora em diante.

(hoje, mais do que nunca, tudo depende do agora)

Percebo o quanto na minha vida fui uma pessoa observadora e distraída. Sempre me importei muito com o mundo, e isso sempre me manteve ocupado de forma suficiente para que me distraísse sobre as minhas questões existenciais mais perturbadoras.

Agora, diante da imensidão branca que me cerca, não há mais desejo ou possibilidade de fugir. Preciso enfrentar meus próprios demônios, ou eles me devorarão (e me perder, neste sentido, poderia soar bastante cômodo, mas não é o que eu realmente desejo).

O primeiro demônio é o da insegurança, que me paralisa e faz com que eu me feche diante de possibilidades que luto com tanto afinco para construir. É engraçado como posso ser a pessoa mais destemida, em determinadas situações, e o adolescente mais inseguro, em tantas outras.

O segundo demônio é o da solidão, que faz com que eu me distancie de tanta gente que me é importante, e sinta tanta falta de pessoas que admiro tanto. E a questão é que eu gosto de estar sozinho, mas ao mesmo tempo gostaria que não gostassem de me ver sozinho. Este é um daqueles segredos que eu ainda não desvendei, mas pretendo um dia entender.

O terceiro demônio, e talvez o mais importante de todos, é uma das lutas mais constantes na minha vida, na qual se baseia quase tudo o que eu escrevo, e boa parte dos meus conflitos anteriores: como adquirir a disposição necessária para lutar com cada vez mais força na direção de tudo o que acredito.

Entendo um pouco sobre os sintomas da doença de minha alma, mas o que mais me interessa é a sua cura.

(“para nos tornarmos imortais, a gente tem que aprender a morrer com aquilo que fomos, com aquilo que somos nós…”)

De certa forma, acho que durante muito tempo procurei as respostas ao meu redor, quando na verdade me abstive de olhar para dentro. Não me esforcei no sentido de resolver minhas angústias, apenas as enganei por tempo suficiente para que nunca fossem prioridades. Mas nenhuma revolução poderá começar por qualquer outro lugar que não seja o nosso peito.

E é aqui que começará a minha. A reconstrução se inicia mais uma vez: percebo que não chegarei ao céu com as estruturas que construí, decido derrubá-las e começar outra vez. E, como diria a minha música-norte, o hino da vida que eu gostaria de ter: as únicas coisas que poderei levar comigo são aquelas que não se pode deixar para trás.

(Ah, tantas cores para se descobrir para preencher paredes tão brancas. A mera perspectiva diante das novas possibilidades faz com que caíam as armaduras e cresça a disposição: “vem, vamos embora, que esperar não é fazer, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”).

p.s.: referências neste post à músicas do Teatro Mágico, U2 e Geraldo Azevedo.

p.s.2: parece que a gente quer falar algo, mas de repente as palavras fogem e estamos falando outra coisa… em condições normais eu protestaria, mas como me emancipar de qualquer outra coisa se não for capaz de libertar meus próprios pensamentos?

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comentários
  1. Beatriz disse:

    Um dia também me cansei de entender as infinitas questões do mundo e das pessoas que me cercavam .

    Quando parei , joguei tudo para o alto e olhei o que estava aqui dentro, a liberdade e a compreensão tão almejadas chegaram .

    Não há como revolucionar se você não revoluciona internamente .

    Desconstrua para construir , você só ganhará novas perspectivas , onde o princípio vai se basear no seu coração e naquilo que você quer , mesmo que ainda não esteja 100 % e dificilmente sempre vai estar.

    As paredes brancas são um bom sinal !

    Desenhe, escreva, , suje , olhe , apague , pinte de tantas outras cores !

    Espero que você se sinta “livre, leve e solto” .

    Boa sorte !

    Bjos.

    p.s: acredito que consiga entender o que você quer dizer .

  2. Jac Oliveira disse:

    Observador e distraído. Só tu poderias ser assim.
    Acho que sair de casa nos leva ao encontro de muitos demônios mesmo. E o principal deles é conviver consigo mesmo sem pirar.

    bj

  3. Márcio B. S. disse:

    Cara, vc já pode considerar privilegiado só de pensar nessas coisas, o q hj em dia é coisa rara… Enfrente seus próprios demônios e mesmo q não vença se sinta um vencedor!

  4. Liliane disse:

    Bom, hm eu gostaria de refazer as palavras do Márcio B.S qe vc pode considerar privilegiado só de pensar nessas coisas que realmente isso é raro. e essa frase me fez/faz pensar ‘ enfrente seus próprios demônios e mesmo q não venca se sinta um vencedor ‘

  5. Yasmim Costa disse:

    Nossa! Adoro tudo o que você escreve, e nem imagino quantas pessoas já devem ter te dito isso!
    Faz tempo que leio seus posts aqui, mas hoje, necessariamente nesse texto, eu tinha que comentar! Seu terceiro demônio é o mesmo que o meu! Me identifiquei muito!

    E é muito interessante ver que pessoas completamente diferentes teem pensamentos parecidos, mesmo que por outros motivos…

    Boa sorte, rapaz!

  6. Ariane disse:

    Costumo dizer que para agirmos no Mundo de fato precisamos agir em nos mesmo!
    Imagine a figura de um Machado de duplo corte que rompe a madeira e quando volta do movimento rompe a rigidez do cortador!
    Seus demonios são tb seus deuses, seu refugio!
    A insegurança te faz entender que é necessario agir em grupo, A Solidão que é necessario aprender a ser uma boa companhia para vc mesmo para ser uma boa companhia para o outro.
    E a força surgirá das inumeras decepções e da capacidade de vc permanecer virtuoso.
    Sugiro leitura – Pequeno tratado das Grandes Virtudes.

  7. Luana disse:

    Se que comer batatas. Coma!
    Que pensamento vago…
    já sinto cheiro de liberdade!!!

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