Arquivo de abril, 2011

Sobre a Tragédia em Realengo

Publicado: abril 8, 2011 em Reflexões

Tristeza. Daquelas de arrepiar a espinha mesmo. Porque se a gente não se preocupa no cotidiano com muita coisa que é importante sobre o mundo, com certeza nos preocupamos com a vida de dez crianças inocentes, que tinham o direito de viver e serem felizes, e que foram injustamente roubadas.

Estas vidas foram perdidas. Definitivamente perdidas. E nada pode diminuir essa dor.

Cabe a nós, nesse momento, escolher quais as reflexões que nos são pertinentes, ou permitir que a mídia as escolha. Cabe a nós decidir se vamos querer reconstituir todos os passos do atirador dentro da escola, ou se vamos discutir se a nossa sociedade ainda tem alguma dúvida de que as armas foram feitas para matar, e não para proteger. Cabe a nós decidir se vamos querer discutir a pena de morte (ele não nos deu essa chance), ou se vamos discutir se é necessário um sistema de saúde pública que consiga oferecer tratamento às pessoas com distúrbios psicológicos. Podemos escolher se queremos ler quinze notícias sobre o mesmo assunto, ou se vamos discutir os valores que propiciam às pessoas viver na solidão e no destrutivo fundamentalismo religioso-moral que, independente de representar uma patologia psíquica ou social, reduz a vida terrestre em função de uma vida futura e incerta.

Podemos gastar todo nosso tempo odiando alguém que fez isso. Chamá-lo de monstro, torcer para que ele tenha sofrido antes da sua morte, culpar sua mãe esquizofrênica. Talvez não seja injusto. Mas isso não vai trazer nossas crianças de volta. Então que tal usarmos toda a nossa dor e angústia para, ao menos, tentar evitar que tragédias como essa se repitam? Que tal pensarmos (e agirmos) para a construção de uma nova sociedade, sobre outros paradigmas? Sem a violência das armas de fogo, mas também sem a violência da desigualdade social, sem miséria, sem fanatismos religiosos e fundamentalismos, e sem a solidão e abandono que certamente caracterizaram a vida de Wellingon Menezes de Oliveira.

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