Sobre a Tragédia em Realengo

Publicado: abril 8, 2011 em Reflexões

Tristeza. Daquelas de arrepiar a espinha mesmo. Porque se a gente não se preocupa no cotidiano com muita coisa que é importante sobre o mundo, com certeza nos preocupamos com a vida de dez crianças inocentes, que tinham o direito de viver e serem felizes, e que foram injustamente roubadas.

Estas vidas foram perdidas. Definitivamente perdidas. E nada pode diminuir essa dor.

Cabe a nós, nesse momento, escolher quais as reflexões que nos são pertinentes, ou permitir que a mídia as escolha. Cabe a nós decidir se vamos querer reconstituir todos os passos do atirador dentro da escola, ou se vamos discutir se a nossa sociedade ainda tem alguma dúvida de que as armas foram feitas para matar, e não para proteger. Cabe a nós decidir se vamos querer discutir a pena de morte (ele não nos deu essa chance), ou se vamos discutir se é necessário um sistema de saúde pública que consiga oferecer tratamento às pessoas com distúrbios psicológicos. Podemos escolher se queremos ler quinze notícias sobre o mesmo assunto, ou se vamos discutir os valores que propiciam às pessoas viver na solidão e no destrutivo fundamentalismo religioso-moral que, independente de representar uma patologia psíquica ou social, reduz a vida terrestre em função de uma vida futura e incerta.

Podemos gastar todo nosso tempo odiando alguém que fez isso. Chamá-lo de monstro, torcer para que ele tenha sofrido antes da sua morte, culpar sua mãe esquizofrênica. Talvez não seja injusto. Mas isso não vai trazer nossas crianças de volta. Então que tal usarmos toda a nossa dor e angústia para, ao menos, tentar evitar que tragédias como essa se repitam? Que tal pensarmos (e agirmos) para a construção de uma nova sociedade, sobre outros paradigmas? Sem a violência das armas de fogo, mas também sem a violência da desigualdade social, sem miséria, sem fanatismos religiosos e fundamentalismos, e sem a solidão e abandono que certamente caracterizaram a vida de Wellingon Menezes de Oliveira.

Anúncios
comentários
  1. Roberto C Lima disse:

    Estamos piores, as tecnoligias que surgem têm deixado um lixo que a sociedade não está sabendo lidar com ele. Os valores de hoje são as melhores roupas, o carro mais bonito e caro, os table são potentes. Um mundo onde o amor não existe, a indeferença é gritante, onde a família foi passada para um segundo plano. Deus se tornou uma útopia incompreensível, culpado por toda sorte de descrença.

  2. Ela disse:

    Lamentável e passível de inúmeras reflexões.

    O pesar é profundo!

  3. stella disse:

    oi, gabriel, gostei das suas reflexões. você leu essa entrevista? acho que vai gostar: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,escola-de-seguranca-maxima,704293,0.htm

    um abraço, e obrigada pela visita e pelo comentário!

  4. Achei interessante sua posição sobre o caso. Esse monstro que entrou no colégio e matou crianças, não passa de uma criança que foi morta por mais algumas crianças. A sociedade é responsável por essa visão de que o fora dos padrões deve ser excluído, e então surge o famoso bulliyng. Chorar é muito fácil quando tudo que se quer é alguém pra culpar. Quem é puro o bastante para julgar essa pobre alma? Quem é hipócrita o suficiente para dizer que havia uma grande preocupação e cuidados em relação à essa agressão psicológica e física entre os jovens?

    Gostei bastante de receber seu comentário e encontrar aqui um lugar tão fantástico. Escreves muitíssimo bem. Um beijo.

  5. Sydão disse:

    Caro Grabriel, gostei muito de suas reflexões.

    A forma como se deu abordagem da imprensa (e como normalmente ela se dá em diversas situações) é de um caráter bastante espetacularizado. A tragédia, em sua face impressionante e assustador, se agudiza ainda mais pelos aspectos de sua publicização.

    É bom revindicar um caráter propositivo para nossa opinião. e pensar a partir dela. Esta tragédia não pode ser entendida como um episódio esporádico, sem que haja propostas a se pensar que educação e que forma de sociabilização é corrente nas escolas, nas famílias, enfim, nos espaços públicos e privados que possuem esta função intrínseca de formação da nossa personalidade.

    Um abraço!

  6. Ela disse:

    ei… cadê você, que nunca mais apareceu aqui….

  7. Evelyn disse:

    Belo blog… parabéns!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s