Arquivo de agosto, 2011


Desde cedo a gente aprende a lidar com o prazer. E nossa vida se torna, mais ou menos, uma busca pela realização dos desejos e pela felicidade. A dor e a angústia seriam então ruins, por representarem exatamente o oposto do prazer e da alegria.

Depois que a gente cresce um pouco, entendemos um pouco melhor a angústia. Ela nos ensina coisas muito importantes que eram até então desconhecidas. Não permite o comodismo e faz com que nos movimentemos para outros lugares. Percebemos que precisamos não só respeitar nossas vontades e sorrisos, mas também nossos medos e lágrimas.

De repente parece que as pessoas, em geral, se acostumam também a uma leveza quase tediosa. Alguns chamam isso de segurança, outros dizem que passamos a procurar a previsibilidade, um pouco mais de controle e segurança. Parece que para a maioria o porto seguro está no morno. Que a zona de conforto é não sentir demais, nem o prazer, nem a dor. Tudo o resto vira rótulo para desequilíbrio, extravagância, luxúria.

O que eu sei é que eu ainda não consegui, ou, ainda melhor, sei que isso não é para mim. Por mais que velhas feridas me impeçam de dar os saltos necessários, o medo de me machucar “é a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz” (como já se ouvia cantar em Minha Alma).

(e, já que a citação caiu como uma luva ao fim do post, compartilho também o clipe da música, que é um dos melhores – se não o melhor – que eu já vi).

 

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