Não acomodar com o que incomoda

Publicado: dezembro 27, 2011 em Música, escrever, sentir..., Olhar para dentro, Reflexões

Temos a incrível mania de atribuir ao nosso esforço, capacidade e vocação tudo aquilo que temos de melhor e mais bonito, enquanto aquilo que nos é feio, mesquinho ou egoísta é fruto de um passado complicado, circunstâncias pessoais com as quais não tivemos maturidade suficiente para lidar ou relações familiares complexas que deixaram sequelas e cicatrizes.

É verdade que, para o bem ou para o mal, somos frutos de nossas condições objetivas que dialeticamente se contrapõem com nossa subjetiva individualidade. E é exatamente essa síntese, capaz de tantos improváveis resultados, que nos caracteriza como seres humanos únicos, e nos permite ansiar que as coisas sejam diferentes daquilo que são hoje!

Mas se já somos capazes de reivindicar tudo aquilo que achamos certo, por que será que ainda não somos capazes de enxergar que os nossos medos, inseguranças e desvios também são nossa responsabilidade? Entender e justificar é possível, sempre poderemos encontrar motivos, construir pretextos, mas a questão é até quando vamos aceitar conviver com isso? Não se trata de achar ser possível a busca pela perfeição, de querer exorcizar cada defeito. Clarice nos ensinou que cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, já que eles também são nossa base de sustentação. Mas, mais importante do que nos aceitar como somos, é não nos deixarmos resignar com aquilo que machuca e nos afasta dos sonhos e ideais. Como diria um poeta mágico (o da música logo abaixo), uma questão de “não acomodar com o que incomoda”.

 

Anúncios
comentários
  1. Bella disse:

    Um beijo cor de azul!

  2. Ela disse:

    e acomodar o que incomoda é segredo de infelicidade, por estas e outras eu gosto de vida e movimento e o que incomoda… precisa ser no mínimo “chacoalhado”.

    abraço querido!

  3. Dizem que gostamos das pessoas por suas qualidades, mas que as amamos por seus defeitos. Não sei se é bem verdade isso, mas o fato é que temos necessidades de nossos defeitos, e muitas vezes não teríamos a personalidade que temos se não fosse a influência deles. Verdade seja dita, devemos reconhecer que temos defeitos e quais são, devemos cuidar deles e dosar seu uso para que os nossos defeitos não se tornem os defeitos da vida de outras pessoas, principalmente daquelas que amamos. E deveríamos não tentar expurgá-los, mas sim compreender sua causa e o que nos leva a alimentá-lo. Afinal, nossos defeitos causam efeitos, por assim dizer…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s