Arquivo de julho, 2012

Frio (ou) A culpa é de quem?

Publicado: julho 17, 2012 em Política, Reflexões

Sabe quando você pensa “nossa, que noite fria ontem”, “que gostoso tomar um chocolate quente”, “como o vinho cai bem em noites como essa?”.

Pense também em “o que será que acontece tom todas as pessoas que não tem casa, ou tem moradia sem nenhuma dignidade”, “será que é socialmente justo que a especulação imobiliária faça com que tenhamos mais imóveis do que gente para morar em São Paulo, e mesmo assim as pessoas tenham que morar nas ruas” ou então “será que São Paulo – ou o Brasil (ou Angola) – trata com dignidade aqueles que não tem dinheiro?”

E, mais do que pensar sobre o quão injusta são as coisas, pensemos, acima de tudo, sobre o que nós fazemos para mudar tudo isso. Ioga para encontrar a paz interior é importante, mas não é tudo. Doar agasalhos nas campanhas de inverno é muito pouco.

Ao votar nos mesmos candidatos e partidos que sempre fizemos, estamos corroborando com todas essas injustiças. Ao reclamar que as manifestações atrapalham o trânsito, estamos dizendo que cagamos e andamos para os absurdos do mundo. Ao reclamar da greve dos metroviários, estamos dizendo que nos importamos muito pouco com as condições de trabalho do outro. 

Mas ao não reclamar de nada, mas tão pouco se esforçar para estudar, entender porque as coisas estão dessa maneira, pensar em como podemos transformá-las, e, principalmente, nos dispor a lutar pelas transformações que acreditamos, estamos fazendo com que o mundo seja exatamente aquele que é. 

Aquele mundo que é assim, é absurdo, sem que sintamos a mínima culpa pelo que acontece aos outros ao nosso redor. A mínima responsabilidade pelas condições miseráveis às quais o ser humano é diariamente submetido. Saramago disse que, se tens olho, vê! e se podes ver, repara. Acho que reparar é sentir, e sentir deveria impulsionar, necessariamente, o agir.

(e “quem quer manter a ordem? quem quer criar desordem?”)

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