Mando notícias do lado de cá…

Publicado: agosto 19, 2012 em Declarações, Reflexões

(…) É como estar do lado de cá, mas saber que do lado de lá sempre também terá um pedaço de mim – e é como se um pedaço do que eu quero ser, desse eu que ainda não conseguiu, já tivesse se realizado naquela pessoa, enfrentado os demônios dos quais ainda me escondo e, vez por outra, pudesse até derrotá-los, e se isso não me faz tão forte quanto eu precisaria me tornar para superá-los, certamente me faz ter esperança de que um dia poderei sê-lo (…)

(…) e é só uma forma meio maluca de lidar com a vida, entregando demais para aquilo pelo que me sinto responsável, procurando menos do que gostaria aquilo que de fato desejo (…)

(…) Mas acima de tudo, é uma forma de romper ciclos, terminar rascunhos e poder lidar com tanta coisa que vive e cresce dentro de mim, mas que não encontra espaço para se manifestar na loucura do concreto paulistano – nas correrias, militâncias, festas, trabalho, família, enfim. Tudo passa tão depressa em São Paulo (e o tempo se arrasta tão absoluto e calmo aqui em Angola)  (…)

(…) às vezes me sinto só – às vezes feliz, às vezes miseravelmente só – e aprendendo a viver com isso, sem uma casa sempre cheia de familiares ou amigos e, principalmente, respirando um lugar novo, uma cultura nova, vivendo mais próximo daquele mundo miserável que eu sempre soube ser real, mas que as comodidades da minha cidade natal podiam facilmente transpor e iludir (a miséria está por todos os cantos da minha metrópole natal, mas como é fácil esquecer dela quando se chega no bar e começamos a beber nossa cerveja junto de pessoas queridas e especiais) (…)

(…) e estou aqui! Penso em você muitas vezes, e acho que sofremos desse problema, de nos falar tão pouco que um email de “como estão as coisas aí” quase não faz sentido, e também dessa curiosidade quase existencial que eu sinto com relação a você, de todo o carinho – de encontro de sangue, que é nosso, que é vermelho não pela fisiologia, mas pela história comum, semente da qual somos frutos – que sinto receber, mas não sei transmitir (…)

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comentários
  1. Teresa disse:

    Bonito ‘desabafo’. Me pareceu uma situação de dualidade, entre o ‘querer’ e o ‘poder’ … nem sempre podemos o que queremos, a vida nos caminha e encaminha. Importante saber como nos colocar nas marés e revezes da vida, e tirar o melhor proveito de toda experiência

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