Arquivo da categoria ‘Declarações’

(…) É como estar do lado de cá, mas saber que do lado de lá sempre também terá um pedaço de mim – e é como se um pedaço do que eu quero ser, desse eu que ainda não conseguiu, já tivesse se realizado naquela pessoa, enfrentado os demônios dos quais ainda me escondo e, vez por outra, pudesse até derrotá-los, e se isso não me faz tão forte quanto eu precisaria me tornar para superá-los, certamente me faz ter esperança de que um dia poderei sê-lo (…)

(…) e é só uma forma meio maluca de lidar com a vida, entregando demais para aquilo pelo que me sinto responsável, procurando menos do que gostaria aquilo que de fato desejo (…)

(…) Mas acima de tudo, é uma forma de romper ciclos, terminar rascunhos e poder lidar com tanta coisa que vive e cresce dentro de mim, mas que não encontra espaço para se manifestar na loucura do concreto paulistano – nas correrias, militâncias, festas, trabalho, família, enfim. Tudo passa tão depressa em São Paulo (e o tempo se arrasta tão absoluto e calmo aqui em Angola)  (…)

(…) às vezes me sinto só – às vezes feliz, às vezes miseravelmente só – e aprendendo a viver com isso, sem uma casa sempre cheia de familiares ou amigos e, principalmente, respirando um lugar novo, uma cultura nova, vivendo mais próximo daquele mundo miserável que eu sempre soube ser real, mas que as comodidades da minha cidade natal podiam facilmente transpor e iludir (a miséria está por todos os cantos da minha metrópole natal, mas como é fácil esquecer dela quando se chega no bar e começamos a beber nossa cerveja junto de pessoas queridas e especiais) (…)

(…) e estou aqui! Penso em você muitas vezes, e acho que sofremos desse problema, de nos falar tão pouco que um email de “como estão as coisas aí” quase não faz sentido, e também dessa curiosidade quase existencial que eu sinto com relação a você, de todo o carinho – de encontro de sangue, que é nosso, que é vermelho não pela fisiologia, mas pela história comum, semente da qual somos frutos – que sinto receber, mas não sei transmitir (…)

 

Vi minha avó paterna algumas poucas vezes na minha vida. Em todas elas, acompanhava-a um sorriso – daqueles de quem realmente sente o que acontece ao seu redor, um brilho no olhar – daqueles que realmente viveram uma vida intensa, e um carinho que lhe transbordava, e acompanhava todos os seus pequenos gestos, desde a maneira como segurava a mão que lhe acompanhava, até o abraço quente e acolhedor.

Aquela mulher era amor e dedicação, e todo o carinho que se dirigia a ela, a vontade de tê-la por perto,

Ela representou, durante muito tempo, um elo entre mim e o pai que eu não conheci senão pela descrição de outras pessoas. Uma ponte entre mim e um mundo que eu queria ter conhecido, que eu queria que tivesse feito parte do meu mundo. Perdê-la, de certa forma, é me afastar de algo que esteve próximo dele, e, especialmente, é percebê-lo apagá-lo. Mas ele não está presente, então bate, recorrente, a dor das saudades que sempre tivemos, de algo que nunca foi nosso.

Sobra-me tão pouco, às vezes. A vontade de abraçar cada um dos familiares, o medo do enterro, da imagem da morte, de enfrentar certos traumas, de perceber-me irremediavelmente insignificante no que tange o rumo natural de certos acontecimentos.

Sofro, e é puro egoísmo, eu sei, já que ela viveu, foi plena e verdadeira, acreditou e batalhou, e plantou um mundo de atitudes mais solidárias, com mais compaixão e dignidade. Até os últimos dias foi lúcida, e, se eu não pude partilhar mais com ela (como não pude compartilhar com ele), sei que muito do que eu sou hoje foi, sim, conseqüência do que eles ajudaram a plantar.

    Somos tão pequenos, tão pózinhos, e perdemos tanto tempo com coisas tão pouco importantes. Que a dor faça valorizar ainda mais o amor, e que ela esteja sempre presente dentro de nós e na forma como agimos como o mundo…

(e se eu não puder lhe dizer adeus, querida, é só porque me falta a voz, porque tudo o que eu sinto agora me excede, em corpo e alma)

Não vê que às vezes um sim é um não?
Não vê que o silêncio às vezes é ensurdecedor?
Não vê que hoje eu preciso que não respeite minha decisão?

Preciso da tua rebeldia neste instante
(é que a razão quer me fazer acreditar que todo nosso céu de estrelas
foi só um sonho meu)

Adiante, adiante! Coração desperto, mangas arregaçadas e tijolo em cima de tijolo. Voar com os pés no chão é mais difícil e cansativo, mas faz com que você não precise estar sempre disposto a pular penhascos.

Não há grande salvação
Nada que possa nos redimir
A não ser o que decidirmos construir
(e que seja com [intensa verdade e] paixão)

p.s.: se conhecerem alguém que vai prestar vestibular/Enem, que tenham interesse (e não tenham recursos para pagar) em freqüentar um curso preparatório (domingos de setembro), na região de São Paulo (capital – próximo ao Metrô Praça da Árvore), favor enviar o email ou forma de contato para gabrielneves@gmail.com

– O que você está respirando, Taís? O que é isso que corre em sua alma?

– Engraçado, eu estava olhando suas fotos. Você mudou tanto, Gabriel. Te vejo brincando e vivendo num mundo em que nunca imaginei vê-lo. Como se estivesse esquecido de algumas profundezas da vida. Profundezas que você me levou, e que eu continuo respirando.

Não é fácil ouvir isso da pessoa com quem compartilhei o amor mais idealista que já senti. E não é algo que se possa ouvir sem refletir sobre isso desde então.

Olhe para seus últimos 10 anos. O que você era, o que você se tornou? Vou ser mais específico: no que você acreditava, e no que você acredita agora? O que você achava que seria capaz de fazer no futuro, e o que você acredita que será capaz de fazer agora?

22 anos. Esta é a minha idade. A maior parte das minhas memórias se refere ao período vivido a partir dos 12 anos. Isto significa dizer que este é a primeira vez que posso responder a pergunta que fiz acima.

Primeiro, eu achava que mudaria o mundo se pudesse fazer com que as pessoas vissem o que estava acontecendo. Porque eu achava que tinha acontecido dessa forma comigo: por ter crescido perto de pessoas críticas e de valores sólidos, eu os conheci, e minha indignação em relação ao mundo era uma construção natural e inevitável.

Depois, a decepção: a mera constatação de uma situação manifestamente injusta e cruel não é suficiente para fazer com que as pessoas mudem suas posturas e concepções egoístas. A força do consumo é tantas vezes mais forte do que a sensação de fazer parte de um mesmo mundo. Não, não, isso vai além: algumas pessoas tem a necessidade de pertencer a um mundo privativo, restrito e luxuoso, mesmo que este seja construído com base na exploração, na frieza.

Percebi que ver não é suficiente. Compreender não é suficiente. Reagir é necessário, mas o que faz com que as pessoas reajam? O que pode mudar sua postura, o que pode fazê-las repensar seus sonhos, objetivos, vontades e, principalmente, o que pode fazer com que mudem suas atitudes e se tornem pessoas mais conscientes de que o mundo precisa mudar, e que a cada dia em que esta mudança atrasa mais tempo perpetuamos tanto sofrimento, egoísmo e indiferença?

Não saber a resposta diminui a velocidade com que eu corro em determinada direção, mas não diminui a vontade que sinto em relação às revoluções de que necessito. Se eu não estou sangrando, não significa que não esteja na batalha.

A questão é que eu não sei como fazer a revolução de que preciso, mas isso não significa que eu esteja acomodado, ou que eu não esteja agindo de acordo com o que acredito. A música ainda é um instrumento pelo qual pretendo lutar (e que tem um significativo poder de fazer as pessoas sentirem – ingrediente bem vindo às ações), as palavras ainda são uma ferramenta presente na minha vida, existem movimentos sociais cuja causa vale a pena apoiar, e, acima de tudo, existe uma vida que precisa ser vivida de forma condizente com aquilo que se acredita. Uma utopia a ser buscada, que Alanis definiu tão bem

Alanis Morissette – Utopia

Nos juntaríamos todos em uma sala
Afrouxaríamos nossos cintos
Conversaríamos
Todos relaxariam
Descansaríamos sem culpa
Não mentiríamos sem medo
Discordaríamos sem julgar

Nós ficaríamos E responderíamos E expandiríamos E incluiríamos E permitiríamos
E perdoaríamos E aproveitaríamos E envolveríamos E discerniríamos E inquiriríamos
E aceitaríamos E admitiríamos E divulgaríamos E abriríamos E alcançaríamos E falaríamos

Essa é Utopia, essa é minha Utopia
Esse é meu ideal minha idéia final
Utopia, essa é minha Utopia
Esse é meu nirvana
Meu ultimato

Abriríamos nossos braços
Nós todos pularíamos, nos deixaríamos cair
Nas redes de segurança

Nós dividiríamos E ouviríamos E apoiaríamos E acolheríamos
Seriamos arrastados pela paixão
Não investiríamos em resultados
Nós respiraríamos E seriamos encantadores E apreciaríamos a diferença Seriamos gentis
E aceitaríamos todas as emoções.

Nós providenciaríamos discussões
Todos falaríamos E todos seriamos ouvidos E nos sentiríamos notados.

Nós levantaríamos após os obstáculos
Mais definidos Mais gratos
Nós nos curaríamos Seriamos humildes E nada poderia nos parar
Seguraríamos forte

E deixaríamos ir E saberíamos quando fazer o que Nós libertaríamos E desarmaríamos E suportaríamos

Eu procuro uma pessoa que seja, acima de tudo, construtiva. Que fique muito feliz quando as coisas dão certo para aqueles que merecem. Alguém que goste muito de dizer sim (quando dizer significa “vamos aproveitar esse momento”, “vamos fazer essa loucura”, “vamos cantar na chuva”, “vamos encontrar a galera” e, principalmente “vamos mudar o mundo”). Alguém que goste muito de dizer não (quando dizer não significa “não vamos aceitar a miséria”, “não vamos ficar vendo TV”, “não deixe de contar comigo” e “não vamos ficar de braços cruzados”).

Alguém que queira muito viver intensamente (e que ache que viver intensamente significa estar presente na vida dos amigos, ter projetos de transformação, ter pique para acordar cedo se for preciso [ou dormir bastante quando possível], inventar a energia necessária para se fazer aquilo que se quer).

Alguém que ame muito a liberdade, e que não abra mão dela. Que saiba plantá-la no coração das pessoas com quem convive (aquela pessoa que sabemos que podemos contar, sem que, por momento algum, permita que qualquer um se sinta o seu dono).

Que saiba respeitar os momentos do outro, e que saiba estar lá, mesmo sem ser chamada, quando se precisa dela. Que esteja realmente disposta, e que não tenha problemas demais de maneira que não possa ouvir aqueles que precisam. Que goste de dançar (e tolere um pouquinho aqueles que não sabem). E também de cantar sempre que ouça um violão (ou assim, mesmo sem nenhum instrumento de fundo). Que goste da lua e as estrelas, e que possa ficar várias horas só curtindo o barulho do mar.

Que saiba ser tolerante e flexível quando o que se precisa é de compreensão e companheirismo. Que saiba ser firme e inflexível quando o assunto for agir de acordo com seus princípios e ideais.

Que sempre procure o horizonte ao subir os picos mais altos, e que ache o máximo quando começa a garoar quando você põe o pé para fora de casa. Que vibra quando duas pessoas especiais se encontram. E que torça muito para que as pessoas que ama sejam felizes. Que não tenha vergonha de abraçar forte um amigo.

E que goste de fazer as pessoas sorrirem (isso é bastante importante). Que aprecie massagem e carinho. Que tenha iniciativa. Que não tenha tempo para perder com mesquinharias. Que seja apaixonada pelo mundo. Que queira fazer a diferença e lutar pelas revoluções. Que ache que as pessoas precisam (e merecem) uma vida melhor.

Que tenha muitos sonhos e desejos, e que lute para torná-los possíveis, sem ter medo de vivê-los. Que seja lispectorianamente boba. E cujas palavras, como bem disse Brecht, soem como alento e esperança para os que dela precisam, e como espadas afiadas diante dos corruptos e exploradores.

Tudo bem, tudo bem. Não é muito fácil, mas quem disse que eu preciso procurar coisas fáceis? Acho que aqui listei a maior parte dos motivos pelos quais eu já me aproximei das pessoas de quem gosto. E é claro que é humanamente impossível ter tudo isso ao mesmo tempo, sempre. Mas atrás disso se encontram os princípios e valores e belezas e calores de todas as pessoas que realmente admiro e com quem espero poder partilhar cada vez mais minha vida. Por isso, cada encontro com alguém em que posso enxergar isso é único e especial, e é por saber que existem pessoas assim que digo a todos que vale a pena procurar.

(e, isto é um segredo, mas saber que existem pessoas assim, e que posso participar da vida delas com as palavras que aqui escrevo é um dos meus pequenos prazeres secretos. Mas não contem para ninguém).

Duas perguntas feitas por Patch Adams:

– Existe alguma coisa mais importante no mundo do que o amor? A amizade, o companheirismo, a solidariedade, todas as atitudes que resultam do amor? A esperança, o afeto e o carinho?

(Acho que não. Na verdade, quase ninguém acha que não, penso eu)

– E qual é a sua estratégia para viver intensamente o amor, que você diz ser a coisa mais importante do mundo?

Pensando de maneira bastante objetiva, qual é a nossa estratégia em relação ao amor que julgamos importante? O quanto, de fato, nos dedicamos para aquilo que julgamos dar sentido à nossa vida?

E, principalmente, em que atitudes do cotidiano podemos enxergar estas escolhas ideológicas? O que fazemos que reflete a importância que damos ao amor? Fazemos sempre? Escolhemos alguns? Quem? E por que?

Precisamos prestar mais atenção no que sentimos e no que fazemos. Você prefere se reconhecer naquilo que você realmente faz, ou no que acha que deveria ter feito?

Sobre a pergunta, eu pensei na minha resposta. E nem sempre a minha estratégia é bem planejada, acho que na maioria das vezes ela é bastante intuitiva. Preciso me programar melhor para atingir minhas metas. Ser mais irresponsável (às vezes), ser mais disciplinado (às vezes). Questão de sentir o momento.

Pensei um pouco mais nessa minha resposta. Acho que a minha estratégia está em constante transformação e tem a ver, principalmente, com a postura que eu procuro ter com as pessoas, com meus ideais, com minhas lutas. Não é necessariamente o jeito mais fácil, mas é a maneira pela qual posso me realizar.

E o amor para mim está intrinsecamente ligado as pequenas atitudes do cotidiano. Quantas vezes nos dedicamos para resolver um problema dos outros, qual é a paciência para ouvir o que alguém tem a nos contar. O que reservamos para oferecer aos outros de conforto, o que podemos fazer de fato para a vida das pessoas com quem convivemos melhorar?

É importante que eu sinta que meus dias estão aproximando o mundo que desejo para aquele em que vivo. E para isso preciso pensar, também, de maneira mais global. Sendo mais específico, eu acho que as grandes revoluções vão vir através da conscientização/educação, e da mudança em como se constroem as relações sociais. Não dá para achar que a mudança é puramente pessoal e subjetiva. Existe um sistema e um estado de coisas contra as quais preciso lutar. E para mim é uma das demonstrações de amor mais importantes, da qual pretendo nunca me afastar (embora nem sempre seja fácil).

É a minha estratégia de amor, sem a qual sou vazio.

Qual a sua?

Link do vídeo que inspirou meu post:

Mariana

Publicado: dezembro 10, 2007 em Declarações, Reflexões

Acordou cedo e se espreguiçou vagarosamente. O mais legal de acordar a essa hora é que sentia que o mar era mais seu. Era como se em alguns pedaços do dia fizesse mais parte do mundo. De certa maneira lhe eram importantes os ciclos, e ela precisava do começo e o fim.

Do início porque era uma página em branco em que poderia escrever uma nova história.  Ela gostaria de ter uma nova história para escrever todo dia. E a parte em que planejava a história era sempre a melhor. O fim era mais peculiar. Gostava da noite, e isso é tudo o que ela poderia dizer caso lhe fosse perguntado.
Mas tem mais… tem sempre algo mais!

Aquele dia, especialmente, ela tinha reservado para redescobrir a si mesma.

Não se deixa para trás aquilo tudo sem que isso a transformasse de tal maneira que ficasse difícil às vezes ser capaz de se reconhecer. Tinha se convencido, sem perceber, que deixou a maioria dos seus sonhos para trás, porque estes lhe machucavam muito!

(antes de taxar esta conclusão como ilógica, seria bom olhar um pouquinho para os sonhos de cada um – e o que foi realizado de cada um deles).

Machuca muito querer viver os sonhos quando isto não depende só de você. E ela não era do tipo que dependia só dela. Dependia das estrelas, do barulho do mar, do ar puro e das pessoas que conseguiam, com leveza (e quase sem querer, eu imagino) chegar-lhe até o coração (mas ela usaria aqui a palavra alma).

Engraçado como existem algumas referências na nossa vida. Às vezes é um lugar, às vezes é uma lembrança. O fato, enfim, é que a maioria das coisas não estavam claras para ela. Mas algumas delas, que pude perceber, me fizeram pensar durante muito tempo, e admirar essa menina, beleza que sente e que as vezes é obrigada a fazer parte de um mundo que não é parecido com o dela. Mas que tem o poder de ver de um jeito (e isso é só dela) que faz com que as cores sejam tão mais intensas – não é apenas uma questão de força, mas sim uma questão de sangue, estrela, água do mar e fogo do peito. Eu acho que tem muito a ver com a luz que enxergo em seus olhos. Não é de uma alegria imensurável, mas de uma doce profundidade na qual sempre quis mergulhar…

Estava em pé (na ponta dos pés). Ligava o som e chutava o ar (se bem que o ar sentia mais como um carinho). Ela era consciente de que o dia não começaria sem que houvesse o movimento. Sem que se olhasse para uma certa direção (de preferência o sol nascente), sem que se sacudisse os cabelos (rebeldes, mas ela não podia reclamar de uma natureza que era também a sua).

E é por isso que alguns dias não existiam
Como, se não podia ver o horizonte?
Como, se não podia ver o céu?
(que fosse azul ou cinza, mas que estivesse lá!)
Como, com essas roupas tão incômodas?

Mas não é fácil. Os hábitos, deles a gente só vai sentir falta depois. Se eles nos prendem, meio que não importa sua natureza, passam a ser ruins. Não gosta de precisar no sentido de dependência, prefere sempre a escolha (embora tivesse um espírito apaixonado – e a paixão estava longe de ser uma opção ou escolha). E descobriu que até o carinho pode ser sufocante. Até o amor tem a sua dose certa (e essa foi a descoberta mais estranha de sua vida).

Ela me chamou, e sussurrou no meu ouvido só um pedaço do seus plano. E foi contagiante: já não dá pra ser o mesmo. Ela também me deixou um retrato, e disse que no meu coração estavam coisas que eu jamais poderia entender com a cabeça. Eu sei, e resigno-me, de certa forma: eu não acho que seja fé, mas existe um certo sentimento transcendental, e uma vontade enorme de encontrar essa menina de novo.Faltou dizer algo. E não dá para descansar enquanto eu não descobrir o que era. E preciso descobrir o que aconteceu. Me diga, por favor, o que aconteceu?